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terça-feira, 18 de novembro de 2014

Surpresa!!! O 666 não é 666

Por Juan Stam
Tradução: Carlos Chagas

Sobre o 666 há muito a dizer, e a primeira é que este não existe como tal. O que a Bíblia diz que é "6-6-6", e não "666", o que é muito diferente. Não é um "triplo seis" como seria "666" na aritmética moderna. O texto bíblico não tem o efeito de repetição, o mesmo número três vezes seguidas. A ênfase não cai em três dígitos de lado a lado , mas na suma expressada pela soma as três palavras originais. Qualquer que seja a interpretação, o significado não pode ser em três dígitos, mas se unindo como uma figura total. 

As pessoas nos tempos bíblicos não podiam sequer imaginar um número como "666" , pois não conheciam o sistema decimal. O número teve que ser "seiscentos - sessenta - seis" .

Além disso,naquela época não se usavam números, então eles tinham que usar as letras do alfabeto para sua aritmética , começando com "A" para "1" , "B" para "2", etc . Assim eles tiveram que escrever números como palavras, neste caso, "666" , ou se não, tem três personagens completamente diferentes, um para 600, um para 60 e outro para 6. Estas três letras diferentes em grego seria "jxs": o "chi" para seiscentos , o "xi" para sessenta e um "dígama" (letra arcaica) para 6. Se a marca da besta é uma tatuagem, não poderia ter sido "666" e sim essas três letras que nos parecem bem raras. 

Agora, se cada letra é um número diferente, então cada palavra ou nome também tem um número, o qual é a soma total dos valores numéricos das cartas respectivas . O nome "aba" seria "4" ( 1 2 1 ) ou " Abba " seria 6 ( 1 2 2 1 ) . Em uma parede de Pompéia há uma pichação bastante romântica dizendo: "Eu amo uma garota cujo número é 545". Entretanto, existe algo de interessante com essa conta. Se eu sei o seu nome, eu só tenho que trocar cada letra pelo número correspondente e somar. Mas se eu disser um número, sem saber a qual nome eu me refiro, nem quantas letras tem, e nem em que idioma está escrito, não teria nenhuma maneira eficaz de proceder do número ao nome correspondente. Por essa e outras razões, é quase certo que os crentes na Ásia Menor sabiam de antemão que esse número se referia a uma pessoa específica. O desafio não era para decifrar o número, mas para entender o significado dos números e ser fiel a essa mensagem. 

Os números misteriosos de Apocalipse 13:18, não só tem muitas interpretações, mas também diversas maneiras de interpretar. Uma dessas maneiras é ter um nome possível e calcular a soma de seus números. Este método produziu uma grande quantidade de candidatos, mas o mais provável é "César Nero", o primeiro perseguidor romano da igreja. Curiosamente, o cálculo é apenas se esse nome em sua forma grega, é transliterado com as letras do alfabeto hebraico com valores matemáticos correspondentes. Outro argumento confirma essa possibilidade. Alguns manuscritos têm um texto variante de "616", e verifica-se que este número corresponde à forma latina do mesmo nome, que tem a palavra final "n" de "Nero" , diminuindo assim o total por 50 pontos . 

Há um outro detalhe que confirma esta análise . O texto diz que "o número da besta é o número de (um) homem" ( 13:18) . Bem, a palavra grega para "besta" (Therion), convertido na mesma forma de letras hebraicas , também soma 666. Sabe-se que havia uma pichação contra Nero, com base no fato de "Nero" e "matricida" somam a mesma quantia ambos. Então , Apocalipse 13:18 estaria dizendo que Nero e a Besta são a mesma coisa. 

No entanto, temos também uma outra possibilidade. Uma escrita antiga chamada Oráculos Sibilinos, tem uma bela passagem que analisa o nome de "Jesus" em grego, e conclui que soma-se 888, ou seja, mais do que perfeito. Este é um texto cristão, escrito logo após o Novo Testamento, e mostra claramente que os cristãos usaram os mesmos jogos matemáticos. Mas, à luz desta passagem, o 666 de Apocalipse 13:18 poderia sugerir que a Besta pretende um dia ser absoluta (777), mas há sempre cai em um triste 666. Cristo, no entanto, é perfeito e mais do que perfeito. Nesse sentido, o Anticristo não é somente um anticristo, mas um pseudo-Cristo, uma imitação e paródia (muito boba) do único e verdadeiro Salvador. 

Ainda é de se supor que o número se refira ao Anticristo final, e sua marca será uma espécie de tatuagem na testa. No entanto, o próximo verso, 14:1 (os capítulos estão mal divididos) contrasta a marca da besta, com "o nome do Cordeiro e de seu Pai escrito nas suas testas". O selo de Deus, de Cristo e do Espírito é um tema muito comum no Novo Testamento (Apocalipse 7:4-8 , 2 Coríntios 1:22, Efésios 1:13, 4:30), e nós sabemos que não é uma marca visível ou física. Assim, parece que a marca da besta não será uma tatuagem. Muito menos estava pensando João em computadores e máquinas a laser, quando ele sequer conhecia a eletricidade. Nem tem a ver com o nosso calendário moderno (6 ​​de Junho), de que João não sabia de nada . Inventar tais interpretações é especular e adicionar à Palavra de Deus (Ap 22:18). 

Há uma outra coisa curiosa nesta passagem: o texto não diz que a besta "marcará a todos", em um tempo futuro, como se fosse uma previsão/predição. Ele diz que à Besta "foi dado poder para dar fôlego à imagem" e que "ele faz tudo ... a receber uma marca" (13:15,16), no passado e no futuro. Parece óbvio que os antigos dias de visões de João referem-se ao momento em que João tinha recebido essa visão. É típico das visões do Apocalipse, que quase sempre vêm no passado e no futuro. É claro que muitas das visões de João são claramente futuro (como a vinda de Cristo, Armageddon , o juízo final e a Nova Criação), mas outros claramente no passado ou presente (como o Filho do homem entre candeeiros, no trono e no céu). 

As visões do Apocalipse, é claro, podem ser futuras, mas não necessariamente, muito menos quando elas vêm escritas no tempo passado ou presente. No caso da marca da Besta, onde os verbos não são futuros, decidir se a marca é uma realidade futura literal ou não, é uma decisão humana de interpretação textual, não no sentido do próprio texto.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

O Apocalipse do Mazdaísmo: A briga do bem e do mal

Por Carlos Chagas



Religião criada por Zoroastro (ou Zaratustra), persa que viveu entre 630 e 553, o Mazdaísmo (ou Mazdeísmo) é uma religião que ainda é seguida pelos parsis da Índia, pelos os quais vem a crença de que seu deus Ahura Mazda, que trava uma batalha com sua antítese, Arimã, pelo controle do universo, buscará o fim da guerra com vitória num dia ainda não determinado. No livro Zend Avesta escrito por Zoroastro, Ahura Mazda enviará neste dia seu profeta, Saoshyans, para realizar o julgamento final da raça humana. Neste dia todos os mortos serão ressuscitados, as montanhas se derreterão e o mundo será tão somente lava e metal incandescente. Como prova final, os vivos e mortos ressuscitados terão que atravessar descalços e os que passarem sem serem consumidos alcançarão salvação. Os demais arderão nas chamas para serem purificados e Arimã será destruído fazendo do mundo um lugar renovado e sem o mal para sempre. Esta é a primeira religião monoteísta a discutir a briga entre o bem e o mal, a qual influenciou o Cristianismo e até mesmo o Judaísmo.

Fonte:
SILVEIRA, Evanildo da. Apocalipse: O fim do mundo. Outros apocalipses: Mazdaísmo. Super Interessante, São Paulo, n.291, p.26, maio 2011.


terça-feira, 14 de agosto de 2012

O Apocalipse Maia: 21 de dezembro de 2012 é o limite?

Por Carlos Chagas



Parece que o ser humano é louco para que o mundo acabe! Durante a história humana milhares de datas foram marcadas como sendo o fim da vida na Terra. No que tange a datas cristãs, foram mais de 220 oficializadas (para ver clique aqui), mas, ao que dá para se ver, nenhuma se concretizou. Parece que o mesmo fim terá a tão falada profecia maia: De que o fim do mundo se dará em 21 de dezembro de 2012.

Essa mais nova profecia catastrófica não tem se mostrado assim, ao menos, para Hollywood, uma vez que uma megaprodução cinematográfica gerou milhões de dóllares para artistas e produtores no filma chamado 2012.

Entretanto, apesar de milhões de bytes na internet relatando o final do mundo para este ano e de filmes, jornais, revistas, artigos e estudos que buscam veracidade sobre tal fim sabe-se que os maias jamais previram isso, assim como não previram sua própria decadência e fim como civilização e nem a chegada de espanhóis às suas terras. "Não há registros de uma ocupação deles com o final dos tempos", diz a professora de História da América Etiane Caloy da PUC do Paraná. Ela continua dizendo: "... a data de 21 de dezembro é o final de um ciclo que dá início a um novo ano, somente isso". Assim, o que se diz sobre o fim do mundo revelado pelos maias é mera interpretação, e errada por sinal.

Alexandre Guida Navarro, professor de História da América pela UFMA afirma que para os maias a concepção sobre um possível fim do mundo é praticamente nula, já que vários dos mitos desse povo dão margem a diversas situações que privilegiam a criação do universo. Segundo Navarro: "Eles não acreditavam no fim do mundo simplesmente porque, para essa civilização, o mundo não tinha fim. Ao contrário, ele estava em constante transformação". Navarro é enfático em dizer que jamais se ouviu histórias ou ou referências sobre o fim do mundo desse povo. "Nenhuma comunidade atual tem essa 'memória' do fim do mundo [...] foi uma criação ocidental para atrair o público a temas especulativos ...", salienta. Quanto à escolha da data é porque o calendário Maia termina em 21 de dezembro. Talvez tenha sido apenas falta de tempo para esculpir em pedra sua continuação, especulam alguns.

Mas então, porque a escolha do dia 21 de dezembro de 2012? Entenda abaixo:

Os Maias possuíam, ao menos, 2 calendários. Um de fato era de uso oficial. O outro nem tanto mas talvez dos demais povos mesoamericanos. Todavia, era de extrema importâqncia para o povo maia registrar detalhadamente os acontecimentos históricos de seu povo como: coroação dos reis, fundação de cidades, surgimento de novas dinastias, etc. Outro detalhe é que possuíam concepção circular e cíclica do tempo baseada na observação dos astros. Isso fez com que elaborassem um calendário complexo e preciso subdividido. Vamos a estas subdivisões:

Haab: Calendário solar formado por 18 meses e 20 dias totalizando 360 dias. Os 5 dias restantes formam um mês conhecido como Wayeb, que acreditavam estar associado aos maus augúrios. Portanto, um ano de 365 dias como o nosso.

Tzolkin: Calendário religioso composto por 13 meses de 20 dias, que totalizam 260 dias. Era este calendário que regia a vida do povo, suas cerimônias e a organização das tarefas agrícolas.

Conforme os estudos de Navarro, estes calendários funcionavam intercaladamente como "engrenagens". Um dependia efetivamente do outro para "girar". Realizando-se contas matemáticas é perceptível que as datas só se encontrariam novamente após 52 anos. O primeiro dia do do primeiro mês de cada um deles só se repetiriam após esses 52 anos. Isso gera um terceiro calendário que é chamado de Roda Calendárica pelos estudiosos, já que preferem destacar a dinâmica de funcionamento dos calendários como "engrenagens".

Assim, ao terminar os 52 anos, para os Maias, era como se iniciasse um novo ciclo. Para eles o mundo passaria por um período de transformações, remodelação e reestruturação. Por isso, os maias destruíam seus templos e construíam outros em cima. Ou então destruíam cidades e criavam novas formas. Ao estudar as estruturas das pirâmides maias é percebido que as mesmas são construídas como um bolo: feitas a partir de “fatias”, as quais eram construídas ao final de cada ciclo de 52 anos. E qual era o objetivo? Garantir o equilíbrio cósmico.

No fim da Roda Calendárica era comum o derramamento de sangue como ritual de boas vindas à renovação. Esse derramamento poderia ser por decaptação ou por cardiotecmia (retirada do coração ainda pulsando do peito da vítima). Tal ritual era de extrema importância religiosa pois o sangue é o líquido vital. É com ele que o universo veio a ter vida.

Ainda há outro calendário chamado de Longa Contagem que é composto de um ciclo com 5125,37 anos ou 1 milhão 872 mil dias d o qual foi descoberto uma possível relação entre o nosso calendário gregoriano. Ao se comparar ambos descobriu-se que a última data de início do ciclo da Longa Contagem foi no dia 11 de agosto de 3114 a.C. Assim, para místicos e crédulos 21 de dezembro de 2012 é uma data muito importante.



Fonte:
SILVEIRA, Evanildo da. Apocalipse: O fim do mundo. O último calendário. Super Interessante, São Paulo, n.291, p.18-25, maio 2011.

terça-feira, 27 de março de 2012

O Apocalipse de Nostradamus: 3ª Guerra Mundial?

Por Carlos Chagas


Quando se fala de profecias muitos nomes vêem à cabeça, e um desses é de Nostradamus. Michel de Nostredame, conhecido pelo seu nome latinizado de Nostradamus, foi um francês nascido em Saint-Rémy-de-Provence em 14 de dezembro de 1503 e morreu em julho de 1566. Foi farmacêutico e médico e praticava também a alquimia, comum para pessoas de seu círculo. Mas sua fama de vidente veio após adquirir, segundo muitas pessoas, a capacidade de prever o futuro. Sua fama foi tamanha ao ponto de ser convocado pela Rainha da França para a previsão da morte de seu marido. Lendas também são contadas sobre Nostradamus. Numa delas diz que em certa ocasião ele viajava pela Itáliaquando cruzou com o monge Felice Paratti. Para assombro do religioso e dos que presenciaram a cena, Nostradamus teria se ajoelhado e dito: ajoelho diante da Vossa Santidade. Anos depois, em 1585, 19 anos após a morte de Nostradamus, o monge Peretti se torna o papa Sisto V.

O registro de suas previsões se encontram no livro As Centúrias de Nostradamus (que pode ser baixado clicando aqui) composto de versos decassílabos, agrupados em quatro linhas e organizados em blocos de cem, por isso conhecidos como Centúrias. Para os céticos tal obra possui linguagem obscura e, por isso, exige boa medida de vontade para se enxergar algo lá. Mas para outros, muitas das palavras ali escritas relatam acontecimentos verídicos e, muitas outras, sobre coisas que ainda vão acontecer.

Na crença de muitos, sobre o Apocalipse Nostradamus registrou: "Quando aqueles do pólo norte estiverem unidos, no leste haverá um receio grande... um dia os dois grandes chefes serão amigos, a nova terra terá atingido o auge do seu poder. Para o homem de sangue o número repete-se...". Para muitos estudiosos essa seria a previsão de Nostradamus sobre a 3ª Guerra Mundial. Para os mesmos a interpretação é: "Homem de sangue" seria o terceiro anticristo, que viria da China. Assim, o conflito envolveria esse país, a Rússia ("aqueles do polo norte" e a América "a nova terra"). Mas outros intérpretes pegam a frase "um dia dos dois grandes chefes serão amigos" e veem nela a previsão da dissolução da URSS. Para estes últimos os dois grandes chefes seriam os líderes da Rússia e dos EUA.

Mais recentemente uma outra quadra das Centúrias causou grande alvoroço e "animou" os que aguardam o fim do mundo: "No ano de 1999, sétimo mês / Do céu virá um grande rei do terror / Ressicita o grande Rei de Angoulmois / Antes e depois de Marte reina para felicidade". De novo a China estaria envolvida, porque Angoulmois foi interpretado como "mongóis". E Marte, como se sabe, é o rei da guerra. Seria portanto, o prenúncio da 3ª Guerra, precipitada pelo conflito da Bósnia, que estava ocorrendo em 1999. Todavia não houve nada de mais alarmante estando o mundo ainda em sinais de resistência. Mas numa carta ao filho César, na 1ª edição das Centúrias, ele afirma que usa a linguagem cifrada para enganar a Inquisição e crava o ano em que tudo vai teminar: 3797!

Quer mais sobre Nostradamus? Então experimente ler este outro artigo clicando aqui.

terça-feira, 20 de março de 2012

O começo e o recomeço do mundo para os hindus

Por Carlos Chagas

Sabe-se que para o cristianismo a história é linear, ou seja, tem começo, meio e fim. Todavia para os hindus a história é cíclica, o que não impede que haja um final, entretanto, há sempre um recomeço. Segundo Edgard Leite, professor da UERJ, "... as concepções religiosas de origem védica sustentam a eternidade do mundo e do universo. E os finais, que existem, são apenas novos recomeços". O mito do "eterno retorno" tem sua origem nas tradições religiosas e filosóficas indianas. Na Índia, tudo sempre recomeça. Como exemplo temos a deusa destruidora Shiva, que é, ao mesmo tempo, grande construtora.

Para um ocidental é complicado entender a criação do mundo na concepção indiana. Muitos dizem que o deus indiano da criação do mundo é Brahma. Para estes que acreditam Brahma criou não só o mundo físico com suas leis, como também o espiritual. As demais coisas cabem aos deuses restantes. Porém, na verdade, Brahma não "criou" o mundo. Ele simplesmente fez com que todas as criaturas percebessem sua existência. A característica principal do hinduísmo é que cada deus representa a característica de um Deus único. Ou seja: Ele cria o mundo como Brahma, o mantém, como Vishnu e o destrói como Shiva. 



Segundo a cosmologia hindu, um dia da vida de Brahma equivale a 4 bilhões de anos dos seres humanos. Sendo assim, a idade da Terra, que é considerada por muitos de 4,5 bilhões de anos corresponde a um dia de vida de Brahma. Esse espaço de tempo é conhecido como Kalpa. Dividindo esse tempo em 4 milhões de anos surgem os períodos chamados mahayugas. De acordo com os Puranas, um dos livros sagrados do hinduísmo, no fim de cada mahayuga, a humanidade cairá no caos e na degradação moral. Assim, haveria um tempo de perversidade, inveja e conflito.

Quando isso ocorre, Vishnu, que é o deus da ordem, se manifesta como avatar, que é enviado à Terra. O próximo será Kalji, um jovem que é descrito como aquele que "cavalga num grande cavalo branco com uma espada semelhante a um meteoro fazendo chover morte e destruição por todos os lados". A Terra, depois de destruída, ressurgirá das cinzas e quando isso acontecer será o período da volta da pureza e da inocência, conforme os livros sagrados hindus. O último avatar que veio ao mundo foi Buda (4 séculos antes de Cristo). Kalki, portanto, deve demorar um bom tempo para aparecer (cerca de 3.997.600 anos!!!).

Fonte:
SILVEIRA, Evanildo da. Apocalipse: O fim do mundo. Fúria Divina sobre a Terra. Super Interessante, São Paulo, n.291, p.14-15, maio 2011.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O Apocalipse Bíblico: Predições do futuro ou promessas divinas?

Por Carlos Chagas

"No Dia do Senhor, entrei em êxtase, no Espírito, e ouvi atrás de mim uma voz forte, como de trombeta, a qual dizia: 'O que vês, escreve-o num livro e envia-a às sete igrejas'." Assim começa a mais famosa literatura apocalíptica de todo o mundo: O Apocalipse Bíblico. Temido por uns, esperado ansiosamente por outros, este é com certeza a literatura apocalíptica mais lida de toda a história e com certeza a mais comentada e interpretada também. Foi escrita por João, um dos quatro evangelistas, por volta de 95d.C., na pequena ilha de Patmos, no mar Egeu.

O livro possui personagens assustadores como os 4 cavaleiros que espalham fome, guerras e peste, além da morada dos mortos, anjos (e muitos), trovões, terremotos e relâmpagos. Cenas apavorantes recheiam a literatura causando grande espanto, medo e curiosidade em seus leitores.O Apocalipse de João, como também é conhecido, demonstra uma luta entre o Bem e o Mal, entre Deus e o Diabo. Nesta luta, apesar da grande maldade e destruição, Deus sai como o vitorioso aprisionando Satanás, o Acusador, e seus seguidores, no inferno, onde haverá, por toda a eternidade, choro e ranger de dentes. Como toda história de guerras, esta também tem seu campo da grande batalha final, a saber, o Armagedom, que para muitos estudiosos, trata-se de Megiddo, hoje território de Israel.

Ainda hoje as interpretações do livro levam muitos a crerem que se trata do fim do mundo. Para muitos analistas e teólogos isso não é o real propósito do livro, que tem por nome apocalipse, que do grego significa Revelação, onde se dá o desvendamento divino de uma série de coisas que antes eram ocultas ao povo mas que agora são reveladas a um profeta escolhido por Deus.

Para o teólogo Cesar Kuzma, coordenador e professor do curso de Teologia da PUC-PR, o livro do Apocalipse não trata de revelações do futuro, nas suas palavras "O Deus bíblico não faz predições, ele faz prmessas". Portanto, para Kuzma, o texto do Apocalipse de João é uma maneira literária, própria da época, de narrar acontecimentos que marcavam a vida dos primeiros cristãos. A linguagem, para sua época, era rica e de fácil compreensão, o que não o é nos dias atuais devido ao grande abismo cultural e do tempo. Não importavam o tamanho das tribulações, Jesus Cristo era (e é) aquele que é mais forte e quem dá a resposta final. Kuzma diz: "O julgamento de Deus está em fazer justiça a quem está caído e recuperar os agentes de destruição, ou seja, é um julgamento de salvção, não de condenação. O Deus cristão não condena ninguém, é um Deus da acolhida, que ama a todos e 'faz novas todas as coisas'."

"É um livro de esperança não de temor" diz Leomar Antônio Brustolin, doutor em Teologia da PUC-RS. Para ele a linguagem e os símbolos são carregados de segredos que que permitem ao cristão entender quem é o Senhor de tudo ao mesmo tempo que confundo aos que se detêm no simbolismo e nas profecias do fim. Para Brustolin o livro tem alto grau de dificuldade na compreensão para o mundo ocidental atual, mas que era de fácil compreensão para o mundo oriental antigo. "É uma literatura própria das épocas de crise e perseguição, em que se procura 'revelar' os caminhos de Deus sobre o futuro, para consolar e encorajar os justos perseguidos, dando-lhes a certeza da vitória final", explica.

Sabe-se que o livro do Apocalipse foi escrito em tempos de perseguição da igreja pelo então imperador Titus Flavius Domitianus (Domiciano - 81-96. Na época se perguntava "quem mandava no mundo? Os tiranos ou o Senhor do Céu?" Esse envolvimento dos poderes terrenos e celestes assegurava aos crentes que Deus é aquele que não só participa do governo dos Céus como também da Terra, tendo total controle dos poderes malignos.

Apesar de João viver na Terra ele comunga de visões celestiais. Tais visões são passadas aos crentes com um simbolismo quase e, às vezes, irracional, o qual transmite uma esperança aos que crêem de que Deus transpassa a História que eles vivem deixando uma mensagem secreta para os perseguidores. A forma na qual foi escrita o livro resume o desafio que é para o homem, que é finito, descrever algo que é infinito.

Em tempos atuais novas interpretações apocalipiticas do livro de João tem dado uma ideia de que a volta de Cristo à terra será em caráter destrutivo e vingativo, vingança esta que denotará a ira de Deus por sobre todos. Nas palavras de Brustolin "o dia do Juízo Final, a vinda de Cristo, e a consumação do tempo e do espaço são alguns aspectos da fé cristã que, não raras vezes, causa certo desconcerto, afetando o sentido da esperança dos cristãos", ou seja, tais interpretações podem criar certas ideias que não condizem com a real proposta do livro. "Isso ocorre porque a fantasia apocalíptica desenvolveu a ideia de que a vinda de Cristo será marcada pela ira, pela vingança e por sinais catastróficos" explica o teólogo.

Quanto a esse medo do fim é algo explicado por estudiosos. Para Jelson Oliveira, coordenador do curso de Filosofia da PUC-PR, o fim do mundo tem a ver com a finitude do homem que o assombra diariamente. Para o psicólogo britânico Bruce Hood imagina um final coletivo é algo inato ao ser humano. "O fim do mundo sempre foi uma ameaça usada especialmente pelas religiões para impor parâmetros de comportamento aos indivíduos [...] A destruição de cidades (Sodoma e Gomorra são um bom exemplo) é anunciada como vingança pelos pecados da população. Ou seja, a morte do fim do mundo aparece como medida moral" diz Oliveira.

Esse receio de fim de mundo tem sido ajudado pelo conhecido calendário. Com a chegada de datas redondas como as viradas de milênios, onde tanto nos anos 1000 quanto nos anos 2000, nos quais foram registrados de forma escrita e científica percepções das mudanças que tais datas implicaram, dão a chance ao homem de reavaliar sua conduta moral e ética e reestruturar sua posição no reino da vida, tanto como indivíduo como espécie.

Por mais que seja assustador os acontecimentos descritos no Apocalipse de João deve-se ter em mente que a humanidade caminha para a comunhão com Deus no final de tudo. O homem, enfim, viverá em comunhão com Deus e todas as dores terão acabado. O sofrimento não terá mais lugar porque "Ele enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não mais existirá, e não haverá mais luto, nem grito, nem dor, porque as coisas anteriores já passaram."

Fonte:
SILVEIRA, Evanildo da. Apocalipse: O fim do mundo. Fúria Divina sobre a Terra. Super Interessante, São Paulo, n.291, p.9-13, maio 2011.

quarta-feira, 10 de março de 2010

O 666 (Número da Besta): Como se adquire?

Por Carlos Chagas


"E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como o dragão. E exerce todo o poder da primeira besta na sua presença, e faz que a terra e os que nela habitam adorem a primeira besta, cuja chaga mortal fora curada. E faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens. E engana os que habitam na terra com sinais que lhe foi permitido que fizesse em presença da besta, dizendo aos que habitam na terra que fizessem uma imagem à besta que recebera a ferida da espada e vivia. E foi-lhe concedido que desse espírito à imagem da besta, para que também a imagem da besta falasse, e fizesse que fossem mortos todos os que não adorassem a imagem da besta. E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome. Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta; porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis."

Apocalipse 13.11-18 

Quantas vezes nos deparamos com comentários e pensamentos sobre o fim do mundo? E quantos desses pensamentos não são associados ao Número da Besta? Recentemente eu estava lendo um livro e me deparei com a citação do texto de Ap 13.11-18. A leitura do autor do livro do qual eu estava lendo associou o Número da Besta com  o chip que dizem estar sendo criado para ser implantado nas mãos das pessoas. Mas o Número da Besta é realmente esse chip? Seria o Número da Besta o estopim da Ira de Deus? Como será que o Número da Besta será implantado? Como se pega o Número da Besta?

O grande problema de hoje é com relação ao que se faz com a leitura bíblica. Nunca se lê um texto e não se faz uma aplicação dele. Toda leitura gera uma aplicabilidade; e isso não é só para leituras bíblicas. Contudo, nunca se pode aplicar um texto sem respeitá-lo primeiro. Por exemplo: "A casa é bonita". Nunca se pode dizer desse texto que a casa é feia sem ao menos primeiro deixar claro o que é bonito para o autor e o que é bonito para o leitor. Ou seja, todo o sentimento, propósito, objetivo e intenção do texto e do autor devem estar presentes na aplicabilidade adquirida pelo leitor. No caso do texto de Apocalipse é muito mais complicado. Por quê? Porque é um texto cheio de símbolos que faziam muito sentido para seus leitores da época. É um texto apocalíptico típico da época em que foi escrito. É um texto dirigido a 7 igrejas da Ásia Menor, o que deixa a certeza de que o autor escrevia algo que era muito claro para eles. O livro de Apocalipse, acima de tudo, não é um texto que fala do fim do mundo e sim do fim de tudo. E o que isso quer dizer? Que o livro de Apocalipse não trata da destruição, mas do propósito de todas as coisas que foram criadas. E esse propósito é o louvor a Deus. Portanto o livro de Apocalipse trata da soberania e reinado Daquele que nunca pode ser esquecido. 

O livro de Apocalipse quase não é lido no intuito de se achar um Deus que fará a Justiça valer. Poucos acham em Apocalipse um Deus que reina e que trará a Paz, mesmo que isso necessite morte e destruição momentânea. Hoje em dia, o que se tem são reflexos de leituras mal feitas do livro que repercute a visão turva do propósito da mensagem do Apocalipse. Muitos vêem o livro como algo místico e até mesmo mágico. E não é. Outros até pensam que o livro é mensagem apenas para o futuro. E esse não é o propósito do livro. Todos devem se lembrar que o livro foi escrito para os da Ásia Menor e não para nós apenas. Ou seja, o livro sempre foi para o presente. E sempre será. Deve-se vivê-lo hoje e não amanhã.

Mas e quanto ao Número da Besta? Bom. Esse tema talvez seja o mais discursado hoje em dia. Contudo tudo o que se diz são releituras de leituras do texto. Em outras palavras: Redizem o que foi dito pelo autor do livro. E isso corre o rico de ferir a mensagem do livro. E é o que mais acontece nos dias de hoje. 

Uma simples explicação sobre o Número da Besta do texto de Apocalipse 13.

Um texto que se tem muitas complicações de interpretação devido ao tanto de figuras e símbolos mas que no entanto trata de um ser que é muito bem aceito na terra devido às suas demonstrações de poder e de um suposto bem que o arremete à primeira Besta que foi morta, mas que era muito bem aceita também. Conforme o texto essa segunda Besta insere uma marca em todos os vivos (vs 16) seja na mão ou na testa que lhes dá o poder de comprar e vender bens. O número é o número de homem que é 666.

Mas há uma informação muito importante que foi esquecida de ser mencionada no parágrafo anterior. Como é que se adquiri a marca da Besta? O texto deixou claro que todos os vivos a receberam, mas como? Qual foi o critério para a recepção da mesma? A chave está no verso 15. Lá diz que todos os que não adorassem a marca da Besta seriam mortos. Isso fica muito claro como a matemática: Os que não o adoraram foram mortos. E os que o adoraram foram chamados de todos no verso 16, que são os livres, escravos, ricos e pobres. Portanto todos do planeta receberam a marca segundo o texto porque os que não adoraram a Besta já haviam sido mortos. 

Aconselho a todos lerem diversos materiais sobre esta passagem. Sejam materiais católicos, espíritas, satânicos, evangélicos ou de cientistas, pois só assim se terá uma visão mais ampla das possibilidades de interpretação. Só no meio evangélico já li mais de 5 tipos de interpretações desta passagem. Mas nunca li em texto algum que para se ter a marca da Besta é preciso adorá-la. Muitos dirão: "Mas é lógico que você não leu porque já está escrito na passagem". Sim. Está escrito. Mas será que todos percebem? Muitos não têm idéia sobre o que seja adoração. Adorar não é simplesmente ajoelhar diante de algo e dizer que o segue ou que acredita nele. O próprio Jesus Cristo explicou isso: "Dois homens subiram ao templo, para orar; um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano.  Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo. O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado". Lc 18.10-14

Adoração é mais que reconhecimento. É entrega. É se dar e morrer para aquilo. Jesus é visto como adorador de Deus porque pegou a sua cruz e o seguiu. E assim é todo discípulo seu. Este pega a cruz de Cristo não porque Ele pegou, mas poque quer ser igual. Assim é ser um adorador. O que não é diferente dos adoradores da Besta. Sabe-se que a Besta não é divina; não é benéfica. Assim, seus adoradores serão como ela: Alegres com a injustiça, felizes com a maldade, não ligando para o pobre ou necessitado, propagando o mal e se entregando mais e mais para o que é errado.

Lembra-se do que foi dito logo acima sobre o Apocalipse ser um livro para hoje? É por causa disso. Aquele que o lê e o guarda HOJE jamais será pego de surpresa. Portanto um chip na mão não o levará para o inferno, mas a adoração dada à Besta. Muitos têm medo da marca da Besta. Se preocupam com o chip na mão, com o código de barras, com a Internet, com o chapéu do Papa, com o tridente do Papa. É claro que é algo preocupante. Mas a marca já é o fim da adoração. A ira de Deus será derramada por sobre os marcados não por causa da marca propriamente dita, todavia porque adoraram a Besta antes de mais nada. E a prova? É a marca. A marca da Besta não deixará alguém dizer que não sabia que adorava a Besta. E não será como no Éden, quando Adão e Eva não assumiram o erro colocando a culpa na Serpente, porque desta vez a marca terá o número de homem, que é o 666.

De hoje em diante não se preocupe com a marca. Preocupe-se com essa pergunta: A quem você adora? Não mais leia o Apocalipse como o livro do futuro. Leia-o para hoje porque ele é seu. Não se preocupe com o chip. Se você adora a Deus, mesmo com o chip você será salvo, porque adora a Deus e para Ele você come e põe o chip. Porque você o segue em adoração verdadeira, que é em espírito e em verdade. E, é claro, como teólogo que sou, não posso deixar de dizer: Não siga esta reflexão só porque você acredita nela, porque é uma reflexão minha. Siga somente se concordar com ela fazendo sempre críticas à respeito da interpretação usada por mim à luz do Evangelho de Deus que é poder para aquele que Nele crê e que nunca; jamais, será confundido. Não acredite apenas em uma interpretação dos textos sagrados. Por que se há uma só interpretação, corre-se o riso de não ser possível a crítica. Se não pode ser criticada, deve-se ser aceita a todo o custo. Se é aceita sem críticas é um dogma. Dogma é do catolicismo medieval e provado como sendo algo questionável e digno de ser protestado. Portanto adore a Deus e seja feliz diante da Besta.