terça-feira, 15 de setembro de 2015

O Homem de Posses

Por Carlos Chagas

Havia um homem poderoso, de muitas posses, o qual ninguém sabia de onde vinha e nem pra onde ia. Apenas sabiam que procurava algo. Chegando numa cidade, dita cristã, ele passou a questionar as pessoas uma pergunta muito estranha:

- “Suponhamos que vocês descobrissem agora que não existem regras para a vida e que tudo é permitido, podendo fazer o que quiser sem que haja punição. O que fariam?” 

- “Eu ajuntaria riquezas alheias” disse um. 

- “Eu viveria em festas e beberia até não aguentar mais”. Disse outro. 

“Eu isso eu aquilo”... Todos começaram a falar de seus desejos, até que um desta cidade questionou aquele poderoso homem: 

- “Mas senhor, por que tal pergunta?” 

- “Gostaria de saber se há na terra um cristão que de fato tem um coração bom. Sei que tem, mas não o acho.” Disse o homem estranho. 

- “Desculpe-me senhor, mas diante da sua primeira pergunta, o senhor não achará tal pessoa. Fazemos as coisas devido a regras. São as regras que nos guiam.” Disse um da cidade. 

- “Este é o problema. Quando damos o poder para o homem é aí que de fato o conhecemos. Sei das intenções dos corações. A minha pergunta foi apenas um teste para saber do que de fato é feito o coração das pessoas. Digo que a regra deveria servir apenas de apoio para que o sentido da vida seja entendido. Cristo assim pregava e vejo que muitos ainda não entenderam. Procuro aqueles que entenderam a mensagem de vida e que se desvencilharam das leis e regras, colocando o amor como regra maior. Na minha pergunta eu tirei a regra porque o amor não há como tirar”. 

Depois de dizer estas palavras as pessoas ainda não procuraram entender aquilo, assim como muitos não procuraram entender as parábolas de Cristo em sua época. Continuaram suas vidas religiosas, pregando salvação a um mundo perdido assim como eles são. 

O homem de posses? Ainda caminha por aí, achando uns e outros que, mesmo diante da pergunta tendenciosa, respondem de coração: “...continuaria fazendo o que Cristo pediu para fazer”. Dizem isso porque entenderam que a regra em si não vale nada e que o amor sempre deve prevalecer. 


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