terça-feira, 27 de dezembro de 2011

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Ahmadinejad: Digno de repúdio ou incompreendido?

Por Carlos Chagas

Abaixo segue uma entrevista com Ahmadinejad, líder do Irã:




Entrevista do presidente Ahmadinejad a revista Alemã Spiegel, denunciando a farsa do holocausto Nazista


Spiegel: Tem havido muita indignação na Alemanha, quando o Senhor disse que iria apresentar-se. Como vê isso?

Ahmadinejad: Não, isso não é o importante, nem sequer sei porque aconteceu isso. Não tem importância para mim. Não sei porque se armou essa agitação.

Spiegel: Tem a ver com sua opinião sobre o Holocausto. É natural que a negação do assassinato sistemático dos judeus por parte dos alemães provoque indignação na Alemanha.

Ahmadinejad: Não entendo bem a conexão.

Spiegel: Primeiro, faz públicas suas opiniões sobre o Holocausto. Depois, chega seu anúncio de que pensa em viajar à Alemanha, o que origina uma agitação. E, todavia, o senhor estranha o fato?

Ahmadinejad: Não, de forma alguma, pois as redes sionistas são muito ativas em todo o mundo, também na Europa, sendo assim não me surpreendeu. Nos dirigíamos ao povo alemão, não temos nada a ver com os sionistas.

Spiegel: Negar o Holocausto é um delito na Alemanha. O Senhor é indiferente à violação dessa lei?

Ahmadinejad: Sei que Der Spiegel é uma revista respeitada. Porém, não sei se é possível para vocês publicarem a verdade sobre o Holocausto. Permitem-lhe publicar a verdade?

Spiegel: É claro que nos é permitido publicar nossas investigações sobre o que ocorreu há 60 anos. Sob nosso ponto de vista, não há dúvida de que, desgraçadamente, os alemães têm culpa da morte de 6 milhões de judeus.

Ahmadinejad: Bem, chegamos a um ponto muito concreto da discussão. Estamos afrontando duas questões. A primeira é: ocorreu realmente o Holocausto? Você responde afirmativamente. Assim, a pergunta é: de quem foi a culpa? A resposta a isso tem que vir da Europa e não da Palestina. Está perfeitamente claro: se o Holocausto ocorreu na Europa, então a solução a esse problema tem que estar na Europa. Por outro lado: se o Holocausto não existiu, então, por que esse regime de ocupação...

Spiegel: Quer dizer o Estado de Israel?

Ahmadinejad: ...aconteceu? Por que os Estados europeus unem-se para apoiar esse regime? Permita-me uma coisa: somos da opinião de que, se um acontecimento histórico se sujeita à verdade, essa verdade será mais clara, todavia, se existe uma investigação independente e mais discussão sobre ela.

Spiegel: Isso tem ocorrido desde há muito na Alemanha.

Ahmadinejad: Não queremos confirmar nem negar o Holocausto. Estamos contra qualquer tipo de crime, porém, queremos saber se esse crime realmente aconteceu. Se ocorreu, os que têm responsabilidade sobre ele, têm que pagar, não os palestinos. Por que não é permitido investigar sobre um acontecimento que ocorreu há 60 anos? Além disso, outros que têm demonstrado que eram mentiras e que aconteceram há milênios, se tem investigado sem problemas nos estados.

Spiegel: Senhor Presidente, com todo o respeito, o Holocausto ocorreu: houve campos de concentração, há dossiês sobre o extermínio dos judeus, tem havido muita investigação a respeito e não há a menor dúvida de que existiu e de que os alemães tiveram culpa. E que o assunto dos palestinos não está conectado com isto, o que nos leva ao presente.

Ahmadinejad: Não, não, as raízes do conflito palestino estão no passado. O Holocausto e a Palestina estão diretamente conectados. E se o Holocausto aconteceu, então devem permitir a grupos independentes estudá-lo, de todo o mundo. Por que o restringem somente para um grupo? Não me refiro a você, senão aos governos ocidentais.

Spiegel: Continua o senhor afirmando que o Holocausto seja um mito?

Ahmadinejad: Só aceitarei algo se estou totalmente convencido.

Spiegel: Inclusive se a totalidade dos estudiosos na Europa estão convencidos?

Ahmadinejad: Porém, na Europa há duas correntes sobre o tema. Uma delas, politicamente motivada, está convencida que sim. Há outro grupo de estudiosos, que em sua maior parte tem estado prisioneiros, que pensam o contrário. Decorre daí que um grupo independente deva ocupar-se da questão, porque sua elucidação vai contribuir para a solução de problemas globais. Sob o pretexto do Holocausto se tem produzido uma grande polarização no Planeta. Portanto, é importante que um grupo imparcial e internacional trate de esclarecer a investigação e não encarcerar os estudiosos.

Spiegel: De que investigações fala? Quem deveria participar?

Ahmadinejad: Conhece-os melhor do que eu: falo de ingleses, franceses, alemães e australianos.

Spiegel: Seguramente fala do inglês David Irving, o alemão Ernst Zündel e o francês Georges Theil que negam o Holocausto.

Ahmadinejad: O mero fato de que minha opinião tenha causado tanto rebuliço, ainda que não seja europeu, e que haja sido comparado com certos personagens, indica que o tema tem muita carga emocional. No Irã não haveria este problema.

Spiegel: Estamos levando o tema até aqui por uma razão: o senhor questiona o direito de Israel existir?

Ahmadinejad: Observe, o que estamos dizendo é que, se o Holocausto aconteceu, então a Europa tem que arcar com as conseqüências, não a Palestina. Se não aconteceu, então os judeus devem voltar ao lugar de onde vieram. Creio que os alemães de hoje são prisioneiros do que ocorreu há sessenta anos. Nessa guerra morreram 60 milhões de pessoas. Somos contrários à morte de qualquer pessoa: sejam judeus, cristãos ou muçulmanos. O que dizemos é: por que entre os sessenta milhões, o importante são os judeus?

Spiegel: Porém não é o caso. Todo o mundo lamenta a morte de poloneses, russos e alemães, e outros. Nós, como alemães, não podemos escusar-nos das mortes sistemáticas de milhões de judeus. Mas talvez devamos ir ao próximo tema.

Ahmadinejad: Agora eu tenho uma pergunta para você. Qual o papel da juventude atual na Segunda Guerra Mundial?

Spiegel: Nenhum.

Ahmadinejad: Então, por que tem que ter sentimentos de culpa a respeito dos sionistas? Por que os custos dos sionistas devem sair de nossos bolsos? Se as pessoas cometeram crimes há sessenta anos, deveriam ter sido julgados então. Fim da história. Por que os alemães atuais têm que ser humilhados porque uma série de gente cometeu crimes em nome dos alemães em um momento da história?

Spiegel: Os alemães de agora não podem fazer nada. Porém há uma parte deles que sentem vergonha pelo que fizeram seus pais e avós.

Ahmadinejad: Como uma pessoa pode fazer-se responsável de algo, quando nem sequer tinha nascido?

Spiegel: Não legalmente, porém, moralmente.

Ahmadinejad: Por que os alemães de hoje têm que carregar esta culpa? Os alemães de hoje não têm a culpa. Por que não se lhes permite defender-se? Por que se insiste tanto nos crimes de um grupo ao invés de reivindicar sua grande história? Por que os alemães não podem se expressar livremente?

Spiegel: Senhor Presidente: os alemães sabem que nossa história não é somente os 12 anos do Terceiro Reich. Sem embargo, devemos aceitar que estes horríveis crimes foram cometidos em nome dos alemães e é uma grande conquista do pós-guerra, ter feito uma autocrítica sobre o tema.

Ahmadinejad: Vai atrever-se a dizer isso para sua gente?

Spiegel: Oh, sim, claro.

Ahmadinejad: Então, permitiria que um grupo independente pergunte aos alemães se compartilham com sua opinião? Nenhuma pessoa aceita sua própria humilhação.

Spiegel: Todas as perguntas estão permitidas neste país, porém, há um grupo (não são antisemitas) senão xenófobos, que consideramos uma ameaça.

Ahmadinejad: Permita-me fazer uma pergunta mais: quanto tempo mais vai durar isto? Por quanto tempo mais os alemães vão ser reféns dos sionistas? 20, 50, 1000 anos?

Spiegel: Só podemos falar por nós mesmos. Der Spiegel não é um refém de Israel, também criticamos sua política na Palestina. Porém queremos deixar uma coisa clara: somos críticos independentes, porém, não permanecemos impassíveis quanto ao direito de Israel (onde vivem muitos sobreviventes do Holocausto) é questionado.

Ahmadinejad: Precisamente esta é a questão. Se realmente houve um Holocausto, os israelenses devem ser realojados na Europa, não na Palestina.

Spiegel: Quer realojar milhões de pessoas, 60 anos depois da guerra?

Ahmadinejad: 5 milhões de palestinos não têm casa há 60 anos. Vocês têm pago reparações de guerra durante 60 anos e ainda restam outros 100. O quê o destino dos palestinos tem a ver com isto?

Spiegel: Os europeus apoiam aos palestinos de diferentes maneiras. Depois de tudo, temos uma responsabilidade pela paz na região. O senhor não compartilha com essa responsabilidade?

Ahmadinejad: Sim, porém, a repetição do Holocausto não vai trazer a paz, o que queremos é uma paz que perdure. E isso quer dizer que há que ir à raiz do problema. É admirável sua sinceridade ao declarar seu apoio aos sionistas.

Spiegel: Eu não disse isso.

Ahmadinejad: Você disse israelenses.

Spiegel: Senhor Presidente, nós conversamos sobre o Holocausto pois queremos conversar sobre o possível armamento atômico do Irã - e por isso o senhor é visto como um perigo para o Ocidente.

Ahmadinejad: Vários grupos do Ocidente gostam de classificar coisas ou pessoas como perigosas. Por favor, esteja livre para julgar da forma que lhe parecer mais correta.

Spiegel: A questão principal é: o senhor quer armas nucleares para seu país?

Ahmadinejad: Me permita formentar uma discussão: o que o senhor acha, por quanto tempo pode-se reger o mundo com a retórica de algumas potências ocidentais? Assim que se tenha algo contra uma pessoa, já começam com a propaganda e mentiras, com difamação e ameaça. Por quanto tempo isso deve durar?

Spiegel: Nós estamos aqui para descobrir a verdade. O chefe de Estado de um país vizinho declarou para Der Spiegel: "They are very keen on building the bomb." Isso é correto?

Ahmadinejad: Veja, nossa discussão com nosso vizinhos e com os governos europeus dá-se em outro nível, mais elevado. Nós somos da opinião que esta Ordem Mundial, onde alguns países forçam sua vontade perante o resto do mundo, seja discriminatória e instável. 139 países são membros da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA), em Viena, nós também. Tanto o estatuto da IAEA, assim como o Tratado de não proliferação de Armas Atômicas, e também todo o conjunto de acordos de segurança, permitem que os países membros disponham do enriquecimento de urânio para fins pacíficos; isto é um direito legítimo de qualquer povo. Mais além, a Agência Internacional de Energia Atômica também foi acionada para promover o desarmamento daquelas potências que já possuam armas atômicas. E agora observe o que acontece hoje: o Irã tem o melhor trabalho conjunto com a IAEA. Mais de 2.000 vezes tivemos inspeção em nossas instalações, os inspetores receberam documentos com mais de 1.000 páginas. Suas câmeras estão instaladas em nossas centrais nucleares. Em todos os relatórios, a IEAE salientou que não há qualquer indício de irregularidades. Este é um dos lados.

Spiegel: A IAEA não vê da mesma forma que o senhor.

Ahmadinejad: Entretanto, o outro lado é: existem alguns países que possuem tanto energia atômica, assim como armas nucleares. Eles utilizam suas armas nucleares para ameaçar outros povos. Justamente estas potências estão preocupadas que o Irã desvie-se do caminho do uso pacífico. Nós dizemos, se estas potências estão preocupadas, elas podem nos inspecionar. Estas potências dizem, porém: os iranianos não podem fechar o ciclo de enriquecimento de urânio, pois então abre-se a possibilidade deles se desviarem do uso pacífico. Nós dizemos que estes países já se distanciaram há muito tempo do uso pacífico. Estas potências não têm o direito de conversar conosco desta maneira. Esta Ordem é injusta; ela não pode prevalecer.

Spiegel: Senhor Presidente, todavia, a pergunta crucial é: quão perigoso torna-se o mundo se mais países entrarem para o rol das potências atômicas - se um país como o Irã, cujo presidente faz ameaças e controi a bomba numa região em crise?

Ahmadinejad: Nós somos em princípio contrários ao aumento do arsenal com armas atômicas. Por isso sugerimos que uma organização apartidária seja criada e desarme as potências atômicas. Nós não necessitamos de qualquer arma; nós somos um povo civilizado e com uma rica cultura; nossa cultura mostra que nós nunca atacamos outro país.

Spiegel: O Irã não precisa da bomba que ele quer fabricar?

Ahmadinejad: É interessante que os países europeus queriam em outra época fornecer armas atômicas ao regime ditatorial do Xá. Este regime era perigoso, mas mesmo assim eles estavam dispostos em fornecer a ele tecnologia nuclear. Mas desde que existe a República Islâmica, estas potências estão contra. Eu saliento mais uma vez, nós não necessitamos de armas atômicas. Como nós somos fiéis e agimos de acordo com a lei, nós mantemos a palavra dada. Nós não somos pilantras. Nós só queremos fazer valer nossos direitos. Além disso, eu não ameacei quem quer que seja - isso também vale para a máquina propagandística contra mim, que funciona em seus países.

Spiegel: Não seria então necessário mencionar que ninguém deve ter medo diante da possibilidade de que o senhor possa produzir armas nucleares, as quais o senhor possivelmente poderia utilizar contra Israel e deflagar uma eventual guerra mundial? Senhor Presidente, o senhor está sentado sobre um barril de pólvora.

Ahmadinejad: Me permita dizer duas coisas. Nenhum povo da região tem medo de nós. E ninguém deve amendrontar os povos. Nós acreditamos que se os EUA e dois a três países europeus não se intrometessem, então os povos da região iriam viver conjuntamente como nos últimos milênios. Saddan Hussein também foi instigado em 1980 por países europeus e pelo EUA, para iniciar uma guerra contra nós. Em relação à Palestina, nossa posição é bem clara. Nós dizemos: permitam que os proprietários dessas terras exprimam suas opiniões. Permitam que judeus, cristãos e mulçulmanos digam suas opiniões. Os opositores desta proposta formentam a guerra e ameaçam a região. Por que os EUA e esses dois a três países europeus são contra? Eu creio que aqueles que aprisionam os negadores do Holocausto são a favor da guerra e contra a paz. Nosso ponto de vista é democrático e a favor da paz.

Spiegel: Os palestinos estão um passo a frente do senhor há muito tempo. Eles reconhecem Israel de facto, enquanto o senhor deseja expulsá-los do mapa. Os palestinos estão prontos para uma solução com dois Estados, enquanto o senhor nega a Israel o direito à existência.

Ahmadinejad: O senhor se engana. O senhor viu que o povo escolheu o Hamas em eleições livres na Palestina. Nós dizemos, nem os senhores nem nós mesmos devemos nos tornar porta-vozes do povo palestino. Os palestinos devem dizer eles mesmo, o que querem. É típico na Europa a realização de referendos para cada tema. Deveria-se também dar aos palestinos a possibilidade de expressão da própria opinião.

Spiegel: Os palestinos têm o direito ao seu próprio Estado, mas os israelenses logicamente também, segunda nossa visão.

Ahmadinejad: De onde vêm os israelenses?

Spiegel: Sabe, se nós formos reconsiderar e perguntar de onde vêm as pessoas, então todos os europeus devem retornar à Africa, de onde todas as pessoas são originárias

Ahmadinejad: Nós não falamos sobre os europeus, nós falamos sobre os palestinos. Os palestinos estavam lá na Palestina. Agora tornaram-se cinco milhões de refugiados. Eles não têm direito à vida?

Spiegel: Senhor Presidente, não chega então a hora de dizer: o mundo é como ele é, e nós devemos nos adequar ao status quo em que ele se apresenta? Após a guerra contra o Iraque, o Irã está, sim, em uma posição favorável. A América perdeu de facto a Guerra do Iraque. Não é então chegado o tempo do Irã atuar contrutivamente para a paz no Oriente Médio? E isso não significaria que o Irã abdicasse de seus planos atômicos e discursos radicais?

Ahmadinejad: Eu me espanto como o senhor incorpora a posição dos políticos europeus e a defende fanaticamente. O senhor é uma revista e não um governo. Dizer que nós devamos aceitar o mundo como ele se apresenta hoje, signica que os vencedores da Segunda Guerra Mundial permanecerão potências vitoriosas por mais 1.000 anos e que o povo alemão deverá ser humilhado por mais 1.000 anos. O senhor pensa que esta seja a lógica correta?

Spiegel: Não, não é a lógica correta, e também não se insere no contexto. Os alemães têm uma participação humilde, mas importante nos fatos mundiais a partir dos desenvolvimentos do pós-guerra; eles não se sentem desde 1945 humilhados e indignados. Nós somos muito conscientes. Todavia, nós queremos conversar agora sobre o papel atual do Irã.

Ahmadinejad: Então nós aceitaríamos que palestinos sejam mortos diariamente, morram através de atos terroristas, que casas sejam destruídas. Mas me permita falar sobre o Iraque. Nós sempre fomos a favor da paz e segurança na região. Os países ocidentais armaram militarmente Saddam ao longo de oito anos contra nós, inclusive armas químicas, e o apoiaram politicamente. Nós éramos contra Saddam, nós sofremos sérios danos por sua causa; nós estamos felizes que ele tenha caído. Mas nós não aceitamos que um país seja engolido com a desculpa de retirar Saddam. Mais de 100.000 iraquianos foram mortos sob o domínio dos invasores. Felizmente, os alemães não estão entre eles. Nós queremos segurança no Iraque.

Spiegel: Mas senhor Presidente, quem engoliu o Iraque? A guerra está praticamente perdida para os EUA. Se o Irã tivesse uma participação construtiva, os americanos poderiam ser ajudados e ele poderiam pensar em uma retirada.

Ahmadinejad: Os americanos dominam o país, matam pessoas, vendem o petróleo, e se eles perdem, eles colocam a culpa nos outros. O povo iraquiano tem estreitos laços conosco. Muitas pessoas em ambos os lados da fronteira são parentes entre si. Nós convivemos mutuamente durante milhares de anos. Nossas cidades sagradas localizam-se no Iraque. O Iraque foi um centro da civilização, da mesma forma que o Irã.

Spiegel: E o que se segue?

Ahmadinejad: Nós sempre dissemos que apoiaríamos o governo eleito pelo povo iraquiano. Mas no meu ponto de vista, os americanos o fazem errado. Eles nos enviaram várias vezes mensagens pedindo ajuda e trabalho mútuo. Eles disseram que nós deveríamos entabular conversas com o Iraque. Embora nosso povo não deposite confiança nos americanos, nós aceitamos a oferta e tornamos isso público. A América se expressou de forma negativa; ela nos ofendeu. Agora nós participamos também para a segurança no Iraque. A condição para conversações é que os americanos mudem o tom.

Spiegel: O senhor se alegra às vezes em provocar os americanos e o resto do mundo?

Ahmadinejad: Não, eu não ofendo alguém. A carta que eu escrevi ao senhor Bush foi cordial.

Spiegel: Nós não nos referimos a ofender, mas sim provocar.

Ahmadinejad: Não, nós não nutrimos inimizades com quem quer que seja. Nós estamos preocupados com os soldados americanos que morrem no Iraque. Por que eles devem deixar sua vida lá? A guerra perdeu o sentido. Por que existe guerra se existe a razoabilidade?

Spiegel: A carta que o senhor escreveu ao presidente, também um gesto aos americanos, sugere que se inicie uma negociação direta?

Ahmadinejad: Nós expusemos claramente nossa posição, exatamente desta forma vemos a situação do mundo. A atmosfera política foi fortemente profanada por algumas potências, pois à vista delas, mentir e enganar têm legitimidade. Isso é muito ruim à nossa vista. Para nós, todas as pessoas merecem respeito. As relações devem ser regularizadas através do princípio de justiça. Se a justiça impera, impera a paz. Comportamentos incorretos não têm fundamento, mesmo se Ahmadinejad se expresse contrário.

Spiegel: Nesta carta ao presidente americano, tem uma passagem sobre o 11 de setembro. Nós citamos: "Como poderia tal operação ser planejada e coordeenada sem a cooperação dos serviços secreto e de segurança, e sem a infiltração mundial desses serviços?" Para o senhor, paira-se muitas suposições. O que quer dizer isso? A CIA contribuiu para que Mohamed Atta e outros 18 terroristas tenham levado a cabo suas ações?

Ahmadinejad: Não, eu não me referi a isto. Nós somos da opinião que eles devam dizer quem são os culpados. Eles não devem, sob o pretexto do 11 de setembro, atacar militarmente o Oriente Médio. Eles devem levar os culpados à justiça. Nós não somos contra, nós condenamos o atentado. Nós condenamos toda ação contra pessoas inocentes.

Spiegel: Nesta carta o senhor também escreveu que a propagação do liberalismo ocidental fracassou. Como o senhor chegou a essa conclusão?

Ahmadinejad: Veja, para o problema palestino, o senhor tem milhares de definições, e também a democracia é definida diferentemente em cada discurso. Quando um fenômeno depende da opinião de muitos indivíduos, os quais definem o fenômeno subjetivamente, então não faz sentido; com isso não se pode solucionar os problemas mundiais. Precisa-se de um novo caminho. Nós somos naturalmente favorável que prevaleça a vontade livre do povo, mas precisamos princípios básicos, que todos aceitem - por exemplo, a justiça. Nisto, o Irã e o Ocidente estão de acordo.

Spiegel: Qual o papel da Europa para a solução do conflito atômico e o que o senhor espera da Alemanha?

Ahmadinejad: Nós formentamos uma boa relação com a Europa, principalmente com a Alemanha. Ambos os povos se gostam. Nós estamos interessados que esta relação seja ampliada. Europa fez três erros em relação ao nosso povo. O primeiro erro foi apoiar o regime do Xá. Por causa disso, nosso povo está decepcionado e infeliz. A França com certeza, pelo fato de ter acolhido o Imã Komeini, obteve uma posição especial que, porém, perdeu mais tarde. O segundo erro foi apoiar Saddam na guerra contra nós. A verdade é que nosso povo esperava ver a Europa ao nosso lado e não contra nós. O terceiro erro foi o comportamento na questão nuclear. A Europa será a grande perdedora e não terá nada do conflito. Nós não queremos isso.

Spiegel: Como se desenrolará daqui para a frente o conflito entre o mundo ocidental e o Irã?

Ahmadinejad: Nós entendemos a lógica dos americanos. Eles tiveram perdas pela vitória da revolução islâmica. Mas nós nos espantamos pelo fato de alguns países europeus estarem contra nós. Na questão nuclear, eu enviei uma mensagem onde perguntei, por que os europeus nos traduzem as palavras dos americanos? Eles sabem que nossas atividades são orientadas para fins pacíficos. Se os europeus ficarem ao nosso lado, será do seu interesse e do nosso. Mas se eles se posicionarem contrários a nós, então eles sofrerão as conseqüências. Pois nosso povo é forte e decidido. Os europeus estão perdendo totalmente seu papel no Oriente Médio, e em outras regiões do mundo eles perdem seu renome. Pensar-se-á que eles não estão mais na posição de solucionar problemas.

Spiegel: Senhor Presidente, obrigado pela entrevista.

A entrevista foi realizada pelos redatores da Der Spiegel, Gerhard Spörl, Stefan Aust e Dieter Bednarzm, em Teerã.

Entrevista retirada na íntegra do blog Ciência e Vida.


Comentários Pertinentes do blog "Cristãos Hoje"


Resumindo a conversa acima Ahmadimejad disse:

1- Não se vê como uma ameaça ao mundo só pelo fato de ele ter tecnologia nuclear. Ao contrário do que os ocidentais pensam, o Irã possui, de forma injusta, mais fiscalização que qualquer outro país quando o assunto é tecnologia nuclear (Fala 27 de Ahmadinejad);

2- O Holocausto foi uma mentira. Os EUA e a Europa usam do argumento para invadir o Oriente e produzir mais matanças. Ahmadimejad não nega as mortes de judeus mas diz que após a matança dos mesmos todo o mundo focou, de certa forma, o Oriente como o "culpado" pelas mortes dos judeus. Assim pula-se para o ponto abaixo;

3- Se os judeus sofreram na Europa, por que deve ser o Oriente e, mais especificamente o Irã, o responsável pelo instituído Israel? Se de lá eles saíram para lá devem voltar diz Ahmadimejad;

4- A Alemanha deve erguer a cabeça e não se ver como culpada pelo Holocausto. Os alemães atuais não se podem culpar pelos erros dos avós, eles nem nascidos eram;

5- Os EUA e a Europa não aceitam que pessoas investiguem a história da 2ª Guerra Mundial porque têm medo de que se descubra a verdade;

6- Aqueles que discordam das ideias da Ordem Mundial são presos. Como exemplo se têm: David Irving, Ernst Zündel Georges Theil;

7- O Irã, ao contrário do que os Ocidentais acreditam, não são perigosos e/ou terroristas. Basta ver sua história. As guerras iniciadas vieram pós-intervenção dos EUA e da Europa;

8- Os atentados do 11 de Setembro de 2001 foram desculpas para a invasão do Oriente para saques e enriquecimento dos EUA;

9- Os EUA armaram Saddam Hussein para lutar contra o Irã, o que chateou o povo iraniano;

10- Dentre outros comentários riquíssimos;
 
O que eu poderia dizer de tudo isso? Primeiramente que eu mudei minha concepção sobre quem seja Ahmadinejad. Infelizmente vemos a história somente pela nossa ótica. Chamamos de terroristas pessoas que atualmente sofrem as maiores barbáries que se conhecem: saques, assassinatos, estupros, deportação, etc. Em segundo lugar afirmo que os EUA e a Europa estão perdendo credibilidade em suas ações. Os EUA em muito pecaram não respondendo às perguntas pertinentes de seus cidadãos sobre diversas controvérsias do dossiê nos atentados de 11 de Setembro de 2001 (para ler sobre o assunto clique aqui). 

Assim como uma leitura bíblicapode em muito ser diversificada em suas interpretações, assim é a história do mundo: fatos são ocultados ou negligenciados para o benefício de certa sociedade ou país. Atualmente o que se vê são países que dizem ser os "Super-Heróis" mas na verdade estão se revelando como vilões e a prova disso é quando se vê quase todo o Oriente indo contra o Ocidente por causa de uma Nação, no caso, os EUA.

É triste quando nações, declaradas cristãs, praticam a destruição em massa de uma outra nação não assumem seu erro e ainda declaram que a outra é culpada. O problema é que as informações sobre tais acontecimentos são negadas a nós e o que nos resta é tão-somente a investigação. Todavia tal investigação corre o risco de pender para o lado de quem investiga, ainda mais quando o veículo de onde se investiga algo é manipulado pelo próprio lado de defesa. Como exemplo cito nossos jornais que são uma releitura de tablóides ingleses que não aceitam as versões do Oriente.

Vale lembrar que o Cristianismo nasceu de Cristo e este veio com uma carcterística comum: Assentar-se com pecadores para dialogar. Não quero dizer que nossa nação é melhor que o Irã, mas há uma real necessidade de diálogo e não de monólogo. O evangelismo atual está partindo para a enculturação forçada. E não deve ser assim. Dizer que alguém é perigoso sem ao menos escutá-lo é uma atitude um tanto quanto perigosa e mesquinha.

Que nós cristãos aprendamos a compreender melhor o meio no qual vivemos para que a melhor intervenção venha acontecer.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Vídeo computadorizado sobre os planos divinos para a construção do Candelabro

Por Carlos Chagas

Referência do texto bíblico: Ex 25.31-40



Este vídeo foi retirado da Bíblia Ilúmina Gold. Para baixá-la clique aqui.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Fala se não parece?

Por Carlos Chagas

É com grande orgulho e amor que publico aqui no blog o nascimento de meu filho: Davi. O mesmo nasceu no dia 14/11/11 às 11:55hs com 49 cm e 3,440 kg por cesareana. Agora vejam se não parece com o pai:

Carlos Chagas (1 mês de idade):


Davi Chagas (2 dias de idade):



Agora faço parte do time dos pais!!! Estou feliz!!!

Caso queiram ver mais fotos acessem meu orkut:
http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=10090983838634140164

terça-feira, 22 de novembro de 2011

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Vídeo computadorizado sobre Ofertas para o Tabernáculo

Por Carlos Chagas

Referência do texto bíblico: Ex 25.1-9



Este vídeo foi retirado da Bíblia Ilúmina Gold. Para baixá-la clique aqui.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Vídeo computadorizado sobre Moisés e a Sarça Ardente

Por Carlos Chagas

Referência do texto bíblico: Ex 3.1-22





Este vídeo foi retirado da Bíblia Ilúmina Gold. Para baixá-la clique aqui.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Vídeo computadorizado sobre o nascimento de Moisés

Por Carlos Chagas

Referência do texto bíblico: Ex 2.1-10



Este vídeo foi retirado da Bíblia Ilúmina Gold. Para baixá-la clique aqui.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O que é Limbus Infantus? Tal conceito lança até jogos eletrônicos

Por Carlos Chagas

A Igreja Católica, na Era Medieval, para tentar explicar para onde vão as crianças mortas e que não foram batizadas, criou o termo "Limbus Puerorum" que significa: Limbus: Margem, orla; e Puerorum: Infantil. Limbus Puerorum é também conhecido como Limbus Infantus ou Limbo Infantil.



Apesar de não fazer parte da regra de fé e dos dogmas católicos como é o dogma do Limbus Patrum (Limbo dos Patriarcas) o conceito do Limbo Infantil em muito influenciou e ainda influencia o pensmento de alguns católicos e até mesmo evangélicos. Por ser uma derivação do Limbo dos Patriarcas, o Limbo Infantil só pode ser entendido à luz do primeiro.

O conceito e compreensão sobre o que seja Limbo Patriarcal nasceu na Escolástica Medieval na tentativa de explicar como ficou a situação dos justos da Antiga Aliança que creram no Messias mas que, devido à marca do pecado original, que, segundo os católicos só pode ser retirada após morte e ressurreição de Cristo e, após o batismo, ainda precisariam de um lugar provisório até o dia do encontro pleno com Deus através de Jesus Cristo.

No caso do Limbo Infantil a tentativa de explicar a situação das crianças do AT e até da Nova Aliança (NT) que morreram e morrem sem o batismo que, para os católicos, representam uma extrema importância para a entrada no céu, se faz relevante. Todavia, como já foi dito, tal teoria não passa de mera crença não-dogmática. Em 2005, o atual Papa Bento XVI convocou cerca de trinta teólogos para rediscutirem a questão do Limbo. Em 2007 a Igreja Católica emitiu um documento que afirma que o Limbo Infantil nunca passou de hipótese e que jamais foi um dogma e que "Deus, no seu grande amor e misericórdia, assegurará que as crianças não batizadas desfrutem da vida eterna com Ele no céu" não diferenciando da Teologia Protestante de linha arminiana. O Papa Bento XVI ainda assegurou que as almas que não praticaram algum pecado considerado pelos católicos como grave vão para o céu, mesmo que não tenham sido batizadas.

LIMBO - Um jogo para testar "Experiência e Morte"

O conceito sobre o Limbus Puerorum serviu de inspiração para Arnt Jensen lançar, pela Playdead, o jogo chamado LIMBO. A história é sobre um garoto anônimo que, de repente, acorda em meio a uma floresta cheia de monstros e com um cenário horripilante que fica à beira do inferno (por isso o título). O objetivo do garoto é encontrar sua irmã que desapareceu e que parece estar no meio desta floresta que, ora possui outras crianças que o atacam, ora apresenta monstros ou super-desafios que o forçam raciocinar e vencer tais obstáculos.




O jogo é uma espécie de Puzzle e tem tido uma grande aceitação no mercado bem como um futuro promissor.

Eu mesmo já joguei este jogo e gostei muito. Por isso o coloco na minha lista de jogos indicados pelo blog "Cristãos Hoje", não só pelo seu desafio como também pela teologia implícita.

Para baixá-lo clique aqui.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Para que existe a Igreja?

Por Carlos Chagas

Às vezes me pergunto: Para que serve a igreja? Sempre me pergunto porque sempre tenho novas respostas. Todavia essas respostas me levam a pensar que a igreja atual pode não estar caminhando seu reto caminho. Pensemos o caso.

1- Jesus reuniu pessoas para pregar de forma íntima seu Evangelho. Sendo assim, nasce a primeira comunidade dos "no Caminho", pois ainda não existia o termo "cristão" que, por sua vez, trará o termo "cristianismo" à tona. Em tal comunidade destaca-se a comunhão. Até no partir do pão eles eram em comum. É só lembrar da Ceia do Senhor.

2- Depois veio a comunidade dos "no Caminho", agora chamada de "Nazarenos". Após a morte de Cristo os discípulos continuaram o trabalho de Jesus discipulando novas pessoas e ainda sim reunindo em orações e cânticos, comungando daquilo que era particular de cada um (At 2.42-47). Até vender propriedades para dar aos pobres era algo comum (At 4.36-37).

Infelizmente, ao olharmos para trás, nasce aquela nostalgia de que hoje já não é assim. Antes se dava ofertas por uma mera comunhão. Hoje é pela bênção divina da prosperidade. Antes todos comiam do mesmo pão, sem sequer dividir em partes. Hoje, se a Ceia do Senhor for celebrada com um cálice apenas muito deixam de ceiar devido ao nojo.

Será que a Igreja atual está no caminho certo? Estamos acolhendo os que são salvos pelo Senhor a cada dia (At 2.47)? E os que já estão salvos? Será que não estão saindo pelas portas dos fundos? Lutamos pela reta justiça ou acobertamos os nossos erros? Investimos nosso dinheiro de forma correta? Preocupamos com pessoas ou com bens?



Nunca; repito: Nunca vi tanto escândalo no meio cristão em toda a história "Depois de Cristo (D.C.)" relacionado ao poder e ao dinheiro como vejo hoje. É apóstolo arrecadando o "trízimo", é missionário juntando patrocinadores, é bispo com dinheiro na cueca quando não consegue ir para Miami para lavar dinheiro como outros crentes o fazem. Aliás, nunca vi tanto título novo igual os dias atuais: De pastor agora temos apóstolos, missionários (em novo sentido) e Paipóstolos!!! Isso se dá porque já desgastaram o título "pastor" por causa dos escândalos. E isso acontecerá novamente. É questão de tempo.

Muitos pregam a salvação pela fé mas têm medo de parar de dar dízimo porque senão vão para o inferno. Como assim? É isso mesmo. Hoje um terreno no céu tem um preço e este é pago em dinheiro. Nome para isso? Indulgência. E se hoje você fala contra isso lhe chamam de rebelde ou dizem que você está julgando o irmão e que isso é errado (sobre julgar o irmão leia outro artigo clicando aqui).

Respondendo a pergunta do título: A Igreja existe pra se ter comunhão com aquilo que é bom, santo e agradável. Para se cultuar pelo que Deus fez ou não fez. Para, acima de tudo, criar novas formas de encarar a vida e buscar a melhor transformação da mesma. Mas para isso a cachorrada deve acabar. E se se para acabar com isso é preciso destruir as igrejas, que seja feito, para que a verdadeira Igreja do Senhor reestabeleça sobre o mal. Amém!!!


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Crayon Physics Deluxe - Jogo indicado para a família

Por Carlos Chagas

Existem pais que se preocupam com os tipos de jogos que seus filhos jogam no PC ou video-games. Existem adultos que desejam até jogar algum jogo mas sua consciência pesa quando este é por demais violento ou pornográfico. É diante disso e, com alegria, que publico aqui no site um jogo que eu joguei e achei muito bom e desafiador. Ele se chama Crayon Physics Deluxe. Um jogo que parece ser monótono ou sem algum tipo de atrativo, principalmente se for julgado a partir de suas primeiras fases. Todavia, ao ser jogado com mais tempo será percebido que o jogo não é tão simples quanto parece. Assim, o jogo se torna interessante para pais e filhos por estas e outras características.

O jogo é a história de uma maçã que cai da macieira e que tem uma atividade num mundo com forças físicas (o nosso mundo). Esta maçã passa a ser controlada pelo jogador sempre buscando um contato com uma estrela. A cada fase esse contato passa a ser mais e mais difícil. Jogo sem violência e sem qualquer tipo de apelação visual conta com uma gama de possibilidades para a execução de cada fase, o que o deixa com um caráter peculiar e interessante.

Eu mesmo joguei o mesmo e até filmei todas as fases que passei (estão publicadas no meu outro blog - segue o link logo abaixo). Filmei as fases para que todos saibam ao menos uma possibilidade de finalização de cada fase do jogo, mas oriento para que joguem primeiro e só depois assistam aos vídeos para que o jogo não perca a graça.

Apesar deste blog se atentar à teologia e à igreja cristã e seus adeptos, não quer dizer que não pensa no lazer dos mesmos. Além do mais, o jogo se faz pertinente uma vez que propicia maior interação entre a família (pais e filhos). Logo, risadas e a alegria será mais praticada na sua casa com esse jogo e é claro, graças a Deus que lhe deu a vida.

Para baixar o jogo clique aqui (link atualizado) ou caso queira assistir aos vídeos acesse o artigo em meu outro blog clicando aqui.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

"Louvor" chamado "dízimo e oferta" e seu lixo teológico

Por Carlos Chagas

Primeiro assistam ao vídeo por favor:




Assistiu ao vídeo? Deixa eu adivinhar: Você achou que era um vídeo de brincadeira ou "zuação"? Pois então. Eu também achei. Mas não é. O grupo do Adriano Gospel Funk já lançou seu primeiro CD e agora encaram isso como ministério. E já têm até agenda lotada (vejam aqui).

Agora, com toda a sinceridade: Acabei de escutar essa música (ou, para alguns, louvor) e na real, fiquei e ainda estou extasiado. Para ser sincero estou em choque. Fiquei cerca de 3 minutos sem acreditar no que via e escutava. E só depois desse tempo é que começei a tecer estas breves palavras.

Para começar me sinto um lixo nesse momento porque a cada dia que passa levar o título "sou evangélico" fica cada vez mais vergonhoso. Não digo isso pela totalidade do trabalho desses rapazes acima porque boa intenção acredito que eles têm. O que digo ser vergonhoso é ver teologia rala e barata que tais pessoas usam num trabalho que dizem levar a sério. E mais: Ver que vários ministérios os chamam para "ministrarem" seus "louvores".
Deixo claro aqui que a letra dessa música acima é um total lixo teológico. A letra diz que Deus é um Deus de barganhas. Dê que Ele lhe dá em dobro. Tal ideia é sustentada por igrejas brasileiras que são envolvidas nos maiores escândalos religiosos do Brasil (Quer ver um? Clique aqui). Que fique claro também que mesmo nas igrejas de onde vêm os escândalos ainda encontram-se cristãos compromissados. A letra ainda diz que está claro na Bíblia a questão do dízimo! Claro o quê? Que eu dou o dinheiro e Deus me dá em dobro? Hoje todos pensam em dízimo somente em dinheiro, mas poucos sabem que os israelitas dizimavam a Deus os seus produtos arrecadados do seus serviços, ou seja, rebanhos, cereais, etc. Raramente dinheiro em espécie. Agora pense: Se é tão claro na Bíblia, por que não se dizima como ela declara? Respondo: Porque a lavagem cerebral evangélica dos dias atuais não deixa. Porque o dinheiro é melhor.

No Novo Testamento você não vê os apóstolos dizimarem, mas sim darem 100% de seus pertences! Vejam o que Barnabé fez (At 4.36-37) e como era a vida dos discípulos (At 2.44-45). Dízimo é Lei. Amor é necessidade. 10% é obrigação. Seu 100% é necessidade. E não é só dinheiro, mas sua integralidade. Não quer dizer que você necessita ser pobre para ser salvo ou salvar, todavia é necessario seu critério de vivência em comunidade (sociedade).

Fico aqui me perguntando até quando o povo vai continuar seguindo a um Deus que só oferece materiais. O Evangelho da Graça e do serviço vai, a cada dia, esvaecendo do meio do povo de Deus. Fico me perguntando até quando líderes continuarão a pregarem esse lixo teológico na TV, e em CD's também.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Judaísmo: Seu surgimento, doutrina, vida religiosa e teologia

Por Carlos Chagas

Atenção: Este artigo é uma cópia literal de um trecho do livro chamado "O livro das Religiões" de Gaarder, Notaker e Hellern exceto pelas figuras. Os méritos são dos autores.

A palavra judeu deriva de Judéia, nome de uma parte do antigo reino de Israel. Judaísmo reflete essa ligação. A religião é chamada ainda de "mosaica", já que se considera Moisés um de seus fundadores.

O Estado de Israel define o judeu como "alguém cuja mãe é judia e que não pratica nenhuma outra fé". Aos poucos essa definição foi ampliada para incluir o cônjuge.

O judaísmo não é apenas uma comunidade religiosa, mas também étnica. Historicamente, o termo judeu tem conotações raciais, porém estas são inexatas. Existem judeus de todas as cores de pele.

O PACTO DE DEUS COM O POVO ESCOLHIDO

Uma das características do judaísmo é ser uma religião intimamente ligada à história. As narrativas da Bíblia se baseiam numa crença bem definida de que Deus fez uma aliança especial, um pacto com seu povo escolhido, o povo hebreu.

As narrativas bíblicas começam com Adão e Eva e uma série de relatos dramáticos que ilustram as conseqüências da inclinação pecaminosa do ser humano e de seu desejo de se rebelar contra Deus. Adão e Eva são expulsos do paraíso. Mais tarde, o mundo inteiro é destruído por um grande dilúvio, do qual se salvam apenas Noé e sua família, juntamente com todos os animais da Terra. Sodoma e Gomorra, cidades sem Deus, são aniquiladas, e a torre de Babel é derrubada, pois representam a tentativa humana de chegar até o céu.

Cada evento histórico é visto pelos autores da Bíblia como uma expressão da vontade de Deus.

De Abraão a Moisés

A fase histórica seguinte teve início quando Abraão saiu da cidade de Ur, localizada no atual Sul do Iraque, por volta de 1800 a.C. O Gênesis relata que Deus disse a Abraão: "Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que te mostrarei. Eu farei de ti um grande povo". Esse povo ganhou um nome após a dramática batalha de Jacó, neto de Abraão, com um anjo de Deus. O anjo então lhe deu o nome de Israel (o que venceu a Deus). Mais tarde, os doze filhos de Jacó geraram as doze tribos de Israel.

A história de José, um dos filhos de Jacó, narra como os israelitas foram parar no Egito, onde foram escravizados pelos faraós. A Bíblia conta de que maneira Moisés os tirou dali e, depois de quarenta anos errando no deserto, levou-os a Canaã, a Terra Prometida.

Durante a travessia do deserto Deus — Javé — deu a Moisés, no monte Sinai, as duas tábuas da Lei com os dez mandamentos a que os israelitas deveriam obedecer. Dessa forma, fez-se um pacto segundo o qual os israelitas deveriam reconhecer a existência de um só Deus, e em troca se tornariam o povo escolhido de Deus. Receberiam sua ajuda e seu apoio, desde que cumprissem o que lhes cabia no acordo e obedecessem às leis de Deus.

Por volta do ano 1200 a. C, os israelitas conquistaram parte de Canaã e por muito tempo viveram lado a lado com os habitantes não israelitas. Seus líderes políticos e religiosos eram os chamados "juizes", que procuravam cuidar de que o povo respeitasse as leis dadas por Deus. Foi também por causa da guerra contra os filisteus que surgiu a necessidade de um poder político centralizado.

O Reino de Israel

Saul introduziu a monarquia por volta do ano 1000 a. C, mas ela alcançou o apogeu durante os reinados de Davi e Salomão, quando Israel se tornou uma grande potência política. Davi, nascido em Belém, foi o grande rei que lutou contra os inimigos e uniu as doze tribos, sob sua liderança, em Jerusalém. A Arca da Aliança — uma arca contendo os dez mandamentos e que, segundo a tradição, os israelitas haviam trazido consigo do Sinai — foi então transportada para a nova capital. Ali, puseram-na no santuário interno do novo Templo, quando Salomão, filho e sucessor de Davi, o construiu no século X a. C,

O grande Templo de Jerusalém incluía um recinto fechado, o Santo dos Santos, contendo oferendas de incenso e os pães da proposição, e um vestíbulo externo onde se faziam os sacrifícios. Os sacerdotes do Templo estavam encarregados desses sacrifícios, que poderiam ser oferendas de animais ou frutos da colheita. O culto era acompanhado por canções e hinos — os chamados Salmos de Davi, que podemos ler na Bíblia. Os sacrifícios, que eram em parte uma oferenda a Deus, em parte uma expiação pela culpa, deviam ser feitos segundo regras estritas.

É possível que aos poucos as pessoas tenham começado a sentir tais sacrifícios como mecânicos, ao mesmo tempo que a liderança do país dava sinais de decadência moral e política. Isso provocou a severa condenação dos profetas. Entre eles, destaca-se Amós, profeta que viveu por volta de 750 a.C. Em suas prédicas ele atacava os males sociais, como, por exemplo, a opressão dos pobres pelos ricos. Além de Amós, vários outros profetas deram mais peso à justiça e aos ideais éticos do que às práticas rituais do culto sacrificial.

O Exílio na Babilônia

Os profetas advertiam o povo do juízo e da punição de Deus, porque as pessoas não estavam vivendo de acordo com as leis divinas. Muitos profetas viam o declínio e a destruição do poder do país como um justo castigo para isso. O reino foi então dividido em dois, um reino do Norte (Israel) e um do Sul (Judá), tendo Jerusalém como capital. Em 722 a. C, o reino do Norte foi devastado pelos assírios e a partir daí deixou de ter significado político e religioso.

O reino do Sul foi conquistado pelos babilônios em 587 a.C. Grande parte da sua população foi deportada para o exílio na Babilônia. Entretanto, em 539 a.C. os que desejavam voltar para a terra natal obtiveram permissão para isso, e daí em diante se tornaram conhecidos como judeus (palavra derivada de Judá e Judéia).

O Judaísmo e a Sinagoga

Foi depois do retorno da Babilônia que começou a se desenvolver a religião que costumamos chamar de judaísmo. O núcleo do judaísmo era a vida na sinagoga, local de culto onde os fiéis se reuniam para orar e ler as escrituras. Esse tipo de serviço religioso surgira por necessidade durante o exílio babilônico, uma vez que ali os judeus não tinham um templo onde orar. Ao voltar do exílio, eles continuaram praticando esse serviço nas sinagogas, que foram construídas em diversas cidades. Nestas, uma função relevante era exercida pelos leigos versados nas escrituras, os quais zelavam por elas, e buscavam interpretá-las e explicá-las. Não tardou que a maioria desses homens instruídos passassem a vir das fileiras dos fariseus.

Os fariseus davam muita importância à Lei escrita nos cinco primeiros livros de Moisés — o Pentateuco —, e também às normas relativas à limpeza e ao asseio; procuravam interpretar a Lei segundo as novas condições que prevaleciam. Nessa época, o papel do Templo já se tornara secundário.

O grande Templo de Jerusalém, destruído durante a conquista babilônica de 587 a.C., foi reerguido em 516 a.C. O sumo sacerdote, os demais sacerdotes e os levitas a eles subordinados eram responsáveis pelo culto, que compreendia o sacrifício diário de um cordeiro em expiação pelos pecados do povo. Após o exílio babilônico, o sumo sacerdote se tornou líder do Sinédrio, o conselho dos anciãos, que mais tarde incluiu ainda representantes dos homens mais instruídos.

Nessa época, os judeus caíram seguidas vezes sob o domínio político estrangeiro. No ano 70 d.C., uma revolta contra os romanos levou ao saque de Jerusalém. O Templo, que recentemente fora ampliado e transformado num esplêndido edifício pelo rei Herodes, foi outra vez arrasado; isso selou o fim do papel desempenhado pelos antigos sacerdotes. Dessa época em diante, foi o novo formato de judaísmo, centrado nas sinagogas, que passou a predominar. Muitos judeus estavam agora dispersos pelas terras do Mediterrâneo ou ainda mais longe. Eram chamados de judeus da Diáspora, palavra grega que quer dizer "dispersão".

UM POVO CULTO, PORÉM PERSEGUIDO

Em várias ocasiões os judeus assumiram um papel de liderança nos países onde se estabeleceram. A cultura judaica conheceu um apogeu na Espanha dos séculos XII e XIII. Aí um de seus maiores filósofos foi o rabino Moisés ben Maimón (Maimônides), que escreveu várias obras e resumiu os ensinamentos judaicos nos Treze princípios da fé judaica. Nesse país floresceu também o misticismo
judaico, a cabala (ou "tradição").

Contudo, desde a Baixa Idade Média até hoje os judeus vêm sofrendo perseguições (Quer uma lista delas? Clique aqui). Em diversos períodos a sociedade cristã os acusou pelo assassinato de Jesus e considerou o destino desse povo uma punição. Os judeus foram deportados da Inglaterra e da França nos séculos XIII e XIV; na Espanha, começaram a ser perseguidos no século XV e acabaram expulsos em 1492. Na Noruega, uma lei aprovada em 1687 negava a qualquer judeu o acesso ao país sem permissão especial, e a Constituição norueguesa de 1814 conservou esse embargo. A "cláusula judaica" só foi anulada em 1851.

Sem dúvida, a pior de todas as perseguições sofridas pelos judeus ocorreu na Alemanha entre 1933 e 1945. Acredita-se que 6 milhões de judeus foram exterminados durante o regime nazista. Fazia muito tempo que os judeus vinham tendo uma participação proeminente na vida cultural da Europa Central, como artistas, cineastas, escritores e cientistas. Também havia jornais e livros, filmes e peças de teatro que circulavam em iídiche, língua semelhante ao alemão mas escrita com caracteres hebraicos, falada por muitos judeus.

Mesmo nos períodos em que não havia perseguição direta, com freqüência os judeus eram tratados como párias sociais. Eles eram forçados a adotar nomes facilmente reconhecíveis e a morar em áreas especiais da cidade, os chamados guetos. Numa época em que a agricultura consistia no meio mais comum de subsistência, era-lhes proibido possuir terras, o que os impeliu a se destacar no comércio. Diferentemente dos muçulmanos e dos católicos, sua religião lhes permitia ganhar juros emprestando dinheiro, e muitos deles se tornaram importantes banqueiros.

AS EXPECTATIVAS MESSIÂNICAS E O SIONISMO

Durante milhares de anos os judeus esperaram um Messias que viria criar um reino de paz na Terra. As raízes históricas dessa expectativa datam da idade de ouro de Israel, no reinado de Davi, quando os reis eram ungidos ao subir ao trono. Na verdade, a palavra Messias significa "o ungido". Desde a época do exílio babilônico os judeus alimentaram a esperança e a crença de que chegaria um Messias, um novo rei saído da linhagem de Davi. Esse rei ideal iria restabelecer Israel como uma grande potência, e seu povo passaria a viver em eterna felicidade.

Até hoje a expectativa da chegada do Messias continua viva em muitos judeus. Mas nem todos pensam no Messias como uma pessoa; falam, em vez disso, numa futura "era messiânica": um estado de paz na Terra, no qual Israel assumiria um papel de destaque. Alguns judeus acreditam que a fundação de Israel, em 1948, cumpriu as expectativas messiânicas que seu povo conservou de geração em geração.

A fundação do Estado de Israel constituiu a culminância de um longo processo cujos primeiros passos foram dados no final do século XIX, quando muitos judeus começaram a falar sobre a possibilidade de voltar para sua antiga pátria. Isso representou o reforço palpável de um antigo desejo, que é repetido pelos judeus todos os anos na Páscoa: "No ano que vem em Jerusalém". O escritor e jornalista Theodor Herzl (1860-1904), em seu influente livro O Estado judaico, argumentava que, como nem a integração e assimilação dos judeus aos países onde viviam conseguira acabar com a perseguição a eles, a única solução seria lhes dar um Estado próprio. Essa idéia foi chamada de sionismo, palavra vinda de monte Sião, colina sobre a qual Jerusalém foi parcialmente construída.

Naquela época havia apenas cerca de 25 mil judeus vivendo na Palestina; a partir daí, porém, iniciou-se uma considerável onda de imigração, em especial de judeus russos. Mas os planos para fundar um país próprio progrediam devagar, em parte porque na época a Palestina era uma colônia britânica. Entretanto, a perseguição nazista aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial gerou uma situação inteiramente nova. Terminada a guerra, a nova República de Israel foi proclamada em 1948. Muitos antigos sionistas desejavam criar um Estado laico, secular, mas os judeus ortodoxos conseguiram realizar seu desejo de que o país fosse fundado com base na religião judaica.

Esse novo Estado tem vivido em contínuo conflito com o mundo árabe, também por causa dos milhares de palestinos que foram deslocados na época da fundação de Israel.

Desde sua criação, Israel já recebeu imigrantes judeus vindos de todos os cantos do mundo, que trouxeram ao país uma variedade de idéias e tradições.

AS SAGRADAS ESCRITURAS

O livro sagrado dos judeus é a Bíblia, uma coleção de textos de natureza histórica, literária e religiosa. A Bíblia judaica equivale ao Antigo Testamento, porém é organizada de maneira um pouco diferente. O cânone judaico foi fixado por um concilio em Jabne por volta de 100 d.C. Compreende 24 livros, divididos em três grupos:

  • A Lei (Torá) — o Pentateuco, ou os cinco livros de Moisés
  • Os profetas (Neviim) — os livros históricos e proféticos
  • Os escritos (Ketuvim) — os demais livros

Se tomarmos as letras iniciais dessas três partes, veremos que formam o acrônimo Tenakh , que é o nome judaico comum para a Bíblia. Na verdade, a palavra Bíblia vem do termo grego que significa "livros".

A Lei (Torá)

Na época de Cristo, os cinco livros de Moisés (ou Pentateuco) eram considerados pelos judeus uma só entidade e chamados de "A Lei", pois continham as normas judaicas legais e morais, assim como as regras relativas ao culto. A divisão em cinco livros data de sua tradução para o grego, que foi feita com base no original hebraico por volta de 200 a.C.

Os cinco livros de Moisés não foram escritos por um único autor do início ao fim. A miríade de histórias que neles se encontra foi, por muito tempo, transmitida sobretudo oralmente. Os livros de Moisés compreendem, portanto, um complexo conjunto de textos escritos durante um longo período, num processo que se completou por volta de 400 a.C.

Os livros históricos e proféticos

E típico desses livros considerar os acontecimentos políticos uma expressão das relações entre Deus e os israelitas, sob circunstâncias variadas. Toda a história de Israel é apresentada como um exemplo da lei da justa retribuição: a conformidade com a vontade de Deus traz bênçãos para seu povo, com tanta certeza como a desobediência e a apostasia (o abandono da religião) levam a um julgamento severo e à dor. O destino de Israel é constantemente interpretado à luz das exigências divinas. Assim, tais livros podem ser lidos como uma justificativa para a destruição do Templo de Jerusalém e para o exílio de grande parte da população na Babilônia.

Trata-se da mais antiga história escrita de que há registro no mundo. Esses livros surgiram muito antes de haver algo como a história comparada ou a análise das fontes.

No entanto, o objetivo dos livros históricos do Antigo Testamento não era propriamente registrar a história, e sim dar a ela uma interpretação religiosa.

Dois dos livros históricos receberam nomes de mulher. Os livros de Rute e de Ester são histórias curtas e belas, com mulheres no papel principal.

Os livros proféticos são Isaías, Jeremias, Ezequiel e os Doze Profetas Menores, assim chamados por causa da brevidade de suas obras; Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque,
Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.

Segundo seu próprio testemunho, os profetas foram chamados para proclamar a vontade de Deus. Muitas vezes eles usam a fórmula "Assim diz o Senhor".

Ao transmitir uma mensagem, por exemplo, vinda de um rei, o mensageiro a iniciava com as palavras "Assim diz o rei". Desse modo, deixava claro que não estava falando por si mesmo. Esse preâmbulo funcionava como uma assinatura ou o carimbo de uma carta na época moderna. Da mesma forma, os profetas acreditavam que tinham sido enviados por Deus para levar a mensagem dele ao povo.

Se as pessoas não vivessem segundo as exigências feitas por esse Deus justo, ele iria, segundo os profetas, distribuir seu julgamento e aplicar seu castigo.

Um bom exemplo da pregação desses profetas é a de Amós, o profeta mais antigo da Bíblia, que viveu por volta de 750 a.C. Seu ataque contra o abandono da maneira correta de adorar a Deus, bem como suas críticas à desigualdade social e à opressão dos ricos sobre os pobres, continua despertando interesse até hoje. Amós chega a ponto de mostrar os pobres e oprimidos como os verdadeiros justos, em oposição aos ricos.

Na verdade, vários profetas davam mais ênfase à justiça e aos ideais éticos do que às demonstrações externas do culto sacrificial. "Que me importam vossos inúmeros sacrifícios?, diz Iahweh." "Basta de trazer-me oferendas vãs: elas são para mim um incenso abominável." "Tirai da minha vista as vossas más ações! Cessai de praticar o mal, aprendei a fazer o bem" (de Isaías 1).

Assim como as profecias prediziam que haveria um julgamento severo sobre Israel, elas previam também a salvação. Essas promessas, palavras de consolação, afirmavam que Deus haveria de salvar do julgamento e da destruição alguns "remanescentes" de seu povo, e enviar um príncipe ou rei da paz, vindo da linhagem de Davi, que faria Israel reviver e o conduziria a um futuro feliz. Tais profecias são particularmente numerosas em Isaías, nos capítulos 7, 9 e 11: "O povo que andava nas trevas viu uma grande luz, uma luz raiou para os que habitavam uma terra sombria como a da morte".

Um terceiro tipo de voz profética é a exortação, representando algo intermediário entre os dois outros tipos de profecia. Aqui, o caminho está aberto para que as pessoas se salvem do julgamento divino, desde que se arrependam e vivam de acordo com a vontade de Deus: "Procurai o bem e não o mal para que possais viver, e, deste modo, Iahweh, Deus dos Exércitos, estará convosco, como vós o dizeis! Odiai o mal e amai o bem, estabelecei o direito logo à porta; talvez Iahweh, Deus dos Exércitos, tenha compaixão do resto de José" (Amós 5,14-15).

Os Escritos Poéticos

Entre os textos poéticos do Antigo Testamento, foram os Salmos que tiveram maior significado histórico. A maioria dos 150 salmos foi escrita na época dos reis, isto é, antes da destruição de Jerusalém em 587 a.C. Foram compostos sobretudo para os serviços do Templo e as grandes festas do Templo em Jerusalém. Mas também há exemplos de salmos que os israelitas dizem em suas orações individuais. Com base em seu conteúdo, podemos dividir os salmos em vários tipos. Os três mais importantes são os cânticos de louvor (hinos), de lamentação (orações) e de ação de graças.

O fato de cerca de metade dos salmos serem atribuídos a Davi não quer dizer que tenha sido realmente ele o autor. Vários salmos são mais recentes. A expressão "de Davi" também pode significar "pertencente a Davi" ou "para o rei Davi". Mesmo assim, é possível que alguns dos salmos mais antigos tenham sido escritos pelo próprio rei Davi.

O Livro de Jó é considerado por muitos uma "jóia da literatura mundial". Com seu suspense e sua construção quase novelesca, ele aborda o significado do sofrimento e da justiça de Deus. Jó é um homem justo e temente a Deus, que é posto à prova por Satã, com o consentimento de Deus. Ele então perde tudo o que possuía, e sua vida fica em ruínas. Em seu infortúnio, Jó clama contra Deus. Por que um homem justo como ele haveria de sofrer um destino tão terrível? Deus responde que o homem não tem o direito de ir contra a vontade de seu Criador; na verdade, não tem direito algum em relação a Deus. O livro termina com Jó aceitando seu destino e se submetendo a Deus — levando dessa maneira a que o vencedor da "aposta" seja Deus, e não Satã. No final, Jó não só consegue reaver todas as suas posses, como vê que elas foram "redobradas" por Deus.

A mais recente das escrituras do Antigo Testamento é o Livro de Daniel, escrito por volta de 165 a.C. Faz parte da literatura apocalíptica característica daquele período. A palavra apocalíptico vem
de um termo grego que significa "descobrir" ou "revelar". Aqui, indica uma literatura que irá desvelar ou revelar o plano de Deus para o mundo.

O Talmud — Comentários sobre a Lei

Além da Torá escrita, os judeus também tinham regras e mandamentos transmitidos oralmente. Segundo a tradição judaica, no monte Sinai, Moisés recebeu não apenas a "Lei escrita" de Deus, mas ainda a "Lei falada". Era proibido escrever a Lei falada, pois esta deveria ser adaptada às condições reais de vida em diferentes lugares e épocas. Porém, depois que os judeus se dispersaram pelo mundo, surgiu o medo de que a Lei falada se perdesse. Assim, decidiu-se registrá-la por escrito, o que foi feito nos séculos que se seguiram à destruição de Jerusalém. Esse material se chama Talmud, palavra hebraica que significa "estudo". O Talmud contém leis, regras, preceitos morais, comentários e opiniões legais, mas também histórias e lendas que discutem esse conteúdo. É bem sabido que o Talmud não é, em si, um livro de ensinamentos, e sim um texto usado pelos rabinos em seus ensinamentos, para orientação dos fiéis em situações concretas.

A NOÇÃO DE DEUS

O credo judaico é: "Ouve, ó Israel: Iahweh nosso Deus é o único Iahweh!" (Deuteronômio 6,4).

Esse credo, que é repetido pelos judeus devotos todas as manhãs e todas as noites de sua vida, mostra que o judaísmo é uma religião monoteísta. Deus, o Deus único, é o criador do mundo e o senhor da história. Toda vida depende dele, e tudo o que é bom flui dele. E um Deus pessoal, que se preocupa com as coisas que criou.

Quem é Deus — ou o que é Deus — é algo que não pode ser expresso em palavras. O nome de Deus é representado pelas letras IHVH, um acrônimo que em hebraico significa "eu sou quem sou". Esse acrônimo costuma ser lido como "Jeová" ou "Javé", porém o nome real é tão sagrado que sempre se usa algum sinônimo, como "o Senhor" ou "o nome".

Jeová é o criador e sustentador do mundo. A idéia de que Deus possa não existir é alheia a um judeu. Elie Wiesel, que recebeu o prêmio Nobel da Paz, sintetizou: "Você pode ser a favor de Deus ou
contra Deus, mas não pode ser sem Deus".

O fato de que Deus é um e apenas um se reflete também na existência humana. Toda a vida de um homem deve ser consagrada. Não há linha divisória que separe o sagrado do profano. Honra-se ao Senhor também na vida secular. A tarefa mais importante do homem é cumprir todos os seus deveres para com Deus e para com seus semelhantes.

A sinagoga e o Shabat

Numa sinagoga não há imagens religiosas nem objetos no altar, pois as imagens são proibidas (é o segundo mandamento). O ponto focal de uma sinagoga judaica é, pois, a Arca, uma espécie de armário que fica na parede oriental, na direção de Jerusalém. Ali se guardam os rolos da Torá, escritos em pergaminho. Como sinal de respeito, esses rolos costumam ser envoltos numa capa de seda, veludo ou outro material nobre, e decorados com sinos, uma coroa e um escudo de metal precioso. Mantém-se sempre uma lâmpada ardente diante da Arca.

No serviço da sinagoga das manhãs de sábado há um grande cerimonial em torno da leitura da Torá. Abre-se a Arca, e os rolos são levados ao redor da sinagoga até o altar. Ali se lê um trecho do texto em hebraico. A leitura da Torá também é feita às segundas e quintas-feiras; desse modo, no decurso de um ano se lê o cânone inteiro. Além da leitura da Torá, o serviço contém orações, salmos e bênçãos, todos contidos num livro especial chamado Sidur. A oração mais importante são as Dezoito Bênçãos, que tem mais de 2 mil anos. Outro foco importante é o credo, o Shemá.

Um cantor sacro, membro leigo da congregação, dirige o serviço. No entanto, o sermão e o ensino da Lei são responsabilidade do rabino, sempre um homem instruído e de alta escolaridade, que cada congregação nomeia separadamente.

Os serviços da sinagoga podem ser realizados diariamente, três vezes por dia, contanto que dez homens adultos estejam presentes. O status de adulto é concedido pela cerimônia do Bar Mitsvá, quando o menino faz treze anos. As mulheres não desempenham parte ativa no serviço e são segregadas nas congregações ortodoxas, ficando em geral numa galeria separada, juntamente com as crianças.

As três orações diárias também são ditas em casa. A religião ocupa lugar de relevo num lar judaico, e aí as mulheres assumem um papel ativo, particularmente no Shabat (sábado) e nas grandes festas.

O Shabat dura desde o pôr-do-sol de sexta-feira até o pôr-do-sol de sábado. A base para a observância do Shabat se encontra na história da criação do mundo: no sétimo dia Deus descansou. Por isso, o homem também deve descansar nesse dia. O sábado se tornou uma festa semanal de renovação, a festa do lar e da família. A esposa, que sempre foi um fator decisivo na preservação dos costumes judaicos, abençoa e acende as velas do Shabat na mesa já posta. O marido abençoa o vinho e corta o pão especial do Shabat. A participação no jantar de Shabat é sagrada e tem grande importância para a união da família judaica.

Kosher — Regras alimentares estritas

Os judeus têm regras detalhadas para a alimentação, normas cujas origens se encontram na Bíblia. Os alimentos que podem ser comidos são chamados kosher, palavra que originalmente significava "adequado" ou "permitido".

A carne só pode provir de animais que ruminam e têm o casco partido, o que exclui o porco, o camelo, a lebre, o coelho e outros. Das aves, podem-se comer as não-predatórias. Dos peixes, são kosher apenas os que possuem escamas e barbatanas; logo, estão eliminados polvos, lagostas, mariscos, caranguejos, camarões etc.

Os animais e as aves que não podem ser comidos são denominados impuros; tampouco se podem comer seus ovos ou beber seu leite.

Toda comida feita de sangue também é proibida, já que a vida está no sangue. Assim, é importante que ao abater os animais, seja extraído deles o máximo de sangue possível. O restante é retirado com água e sal. Os animais devem ser abatidos por um especialista, sob superintendência rabínica, da maneira mais rápida e indolor. É proibido comer qualquer carne que não tenha sido obtida de um animal abatido segundo as regras.

As frutas e verduras são todas kosher, bem como a maioria das bebidas alcoólicas e não alcoólicas. A exceção são as bebidas feitas de uva (vinho e conhaque), que devem vir de produtores judeus e ser cuidadosamente rotuladas.

Além dessas regras, os judeus têm um costume especial que proíbe comer derivados de leite juntamente com derivados de carne. Se o cardápio contém bife, o molho não deve conter manteiga, nem se deve terminar a refeição com café com leite, creme ou sorvete. Para garantir que esses dois tipos de alimentos não se misturem, os judeus ortodoxos usam dois conjuntos de utensílios de cozinha, um para leite e outro para carne. Eles devem ser lavados em bacias separadas e enxutos com diferentes panos e toalhas. Algumas pessoas chegam a ter duas geladeiras e duas lavadoras de louça.

Ética judaica

Os judeus não fazem distinção nítida entre a parte ética e a parte religiosa de sua doutrina. Tudo pertence à Lei de Deus. Existem 248 ordens afirmativas e 365 proibições, totalizando 613 mandamentos. Além desses mandamentos, a vida do judeu é regulada por muitos costumes e práticas que surgiram ao longo da história. Diz-se que um costume judaico é tão obrigatório quanto uma lei. 

O judaísmo dá destaque a uma série de qualidades eticamente boas: generosidade, hospitalidade, boa vontade para ajudar, honestidade e respeito pelos pais. Um princípio fundamental é não fazer mal aos outros, ou, de maneira afirmativa: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Levítico 19,18).

Muitos judeus dão um dízimo (10%) de sua renda para causas dignas, mas as doações podem ser grandes ou pequenas. A Bíblia exige que sejam dados de presente aos pobres os frutos da terra. Desde os tempos antigos era hábito não colher o que desse nos cantos dos campos, para que os pobres pudessem ali entrar e colher para si. Do mesmo modo, parte das azeitonas e das uvas era deixada nas árvores e nos vinhedos para ser apanhada pelos pobres.

A palavra usada na Bíblia para se referir a ajuda aos pobres é justiça. Dar esmolas não é fazer caridade, e sim cumprir o dever de combater a pobreza, baseado nas palavras de Deus: "Jamais haverá nenhum pobre entre vós". A exigência de justiça tem lugar proeminente na ética e inclui, além dos pobres, também os fracos (viúvas e órfãos) e os estrangeiros: "O estrangeiro que habita convosco será para vós como um compatriota, e tu o amarás como a ti mesmo, pois fostes estrangeiros na terra do Egito" (Levítico 19,34).

Como há muitos mandamentos, é natural que em certas circunstâncias eles entrem em conflito. Quando isso acontece, a vida humana está acima de tudo. Por exemplo, uma vida humana deve ser
salva mesmo que isso quebre as leis do Shabat.

FASES DA VIDA

Os judeus têm costumes muito antigos relativos ao ciclo da vida: nascimento, juventude, casamento e enterro.

Circuncisão

Oito dias após o nascimento os meninos são circuncidados, conforme o mandamento da Torá: "Deveis circuncidar a pele do prepúcio, e este será o sinal da aliança entre nós. Cada varão dentre vós, em cada geração, será circuncidado no oitavo dia". A circuncisão é feita por um especialista. Os padrinhos levam a criança até o "representante", que a segura durante a cerimônia. Esta é acompanhada de orações, e a criança recebe formalmente seu nome. E uma cerimônia religiosa realizada numa atmosfera de alegria e celebração. Costuma ser seguida por uma refeição festiva.

A menina também recebe seu nome formalmente na sinagoga uma semana depois do nascimento. Seu pai é chamado até a Torá, e se faz uma oração pela mãe e pelo bebê.

Bar Mitsvá e Bat Mitsvá

Aos treze anos o menino judeu se torna um Bar Mitsvá, expressão em hebraico que significa "filho do mandamento". Isso acontece na sinagoga, no primeiro sábado após seu 13° aniversário. Durante o ano precedente ele deve ter aulas com um rabino ou outra pessoa instruída, para aprender as leis e os costumes judaicos. Deve também aprender o trecho da leitura da Torá que será feita no sábado em questão. Quando chega o dia, ele deve se levantar e ler alto seu texto, cantando-o conforme o costume. Isso confirma que ele passou a ser um membro pleno da congregação, com todas as responsabilidades que daí decorrem. Depois da cerimônia é hábito oferecer uma festa para a família e os amigos.

Uma menina se torna automaticamente Bat Mitsvá (filha do mandamento) quando completa doze anos. Costuma-se celebrar esse fato no primeiro sábado após seu 12° aniversário. Para isso ela prepara algumas palavras que deve dizer com a bênção (o kidush) depois do serviço. Por volta dos quinze anos as meninas aprendem o principal da história e dos costumes judaicos, particularmente as regras alimentares, que são responsabilidade da mulher.

Casamento

A família desempenha um papel muito especial no judaísmo. É dela que os judeus recebem sua identidade cultural e sua educação básica. O casamento é considerado o modo de vida ideal, instituído por Deus, e é o único tipo de coabitação permitido. Um judeu tem por obrigação casar com uma pessoa judia, porém os casamentos mistos estão se tornando cada vez mais comuns, o que vem causando certos problemas na comunidade judaica.

Alguns dias antes do casamento a mulher deve tomar um banho ritual. No dia do casamento, o noivo e a noiva ficam em jejum até o final da cerimônia. O casamento pode ser celebrado em qualquer lugar, mas normalmente acontece na sinagoga, debaixo de uma espécie de toldo (hupá) que simboliza o céu. Em geral é um rabino que realiza a cerimônia e lê as bênçãos e exortações. Os noivos então compartilham de um mesmo copo de vinho, como sinal de que irão dividir tudo o que a vida lhes trouxer. Em seguida, o noivo põe a aliança no dedo da noiva, dizendo em hebraico: "Eis que tu és consagrada a mim por esta aliança, segundo a Lei de Moisés e de Israel".

Nesse ponto a ketubá é lida e entregue à noiva. A ketubá consiste no contrato de casamento, que é assinado pelo noivo antes da cerimônia e reúne todos os seus deveres para com a noiva.

Até aí a cerimônia não passou da formalização de um compromisso, mas tradicionalmente a formalização do compromisso já está incluída na própria cerimônia. O casamento propriamente dito começa com a leitura de sete bênçãos especiais; depois disso o casal toma vinho mais uma vez. O noivo então quebra um copo com o pé, em memória da destruição do Templo. Após o casamento os noivos são levados a um quarto particular, onde podem quebrar o jejum, e ficar a sós. Nos círculos estritamente ortodoxos, esta será a primeira vez que isso acontece. No fim da cerimônia, costuma-se oferecer uma grande festa e uma refeição comemorativa.

O divórcio é permitido, mas para que seja legítimo, deve ser sancionado por um tribunal rabínico e selado pelo marido, que dá à esposa a carta de divórcio.

Enterro

O enterro deve ocorrer o mais rápido possível depois da morte, em consideração às condições do corpo. A cremação não é permitida. 0 corpo do falecido é lavado, vestido com uma roupa branca simples e colocado num caixão de madeira sem ornamentos. Os homens são enterrados com seu xale de oração.

Não se usam flores nem música na cerimônia, que é realizada pelo cantor sacro. Ele joga três pás de terra sobre o caixão enquanto recita: "O Senhor dá e o Senhor tira — bendito seja o nome do Senhor". O rabino faz um discurso em memória do morto, e os filhos homens, ou o parente mais próximo do sexo masculino, recitam uma oração — o Kadish. Após o funeral, a família fica de luto por uma semana. No aniversário da morte, todos os anos, os parentes mais próximos acendem uma vela na sepultura e lêem o Kadish.

Os judeus têm muito apreço por seus cemitérios e os tratam com grande respeito. É aí que os mortos irão descansar até a ressurreição.

FESTIVAIS ANUAIS

As festas judaicas são associadas ao calendário judaico e em geral têm uma base histórica. Os judeus contam o tempo em relação à criação do mundo, a qual, segundo nosso calendário, ocorreu em 3761 a.C. O calendário se apóia no ano lunar e tem doze meses de 29 ou trinta dias, com 354 dias ao todo. Acrescenta-se um mês extra sete vezes durante cada ciclo de dezenove anos, para alinhar o ano lunar pelo ano solar; com esse arranjo, as datas festivas mudam de ano em ano, do mesmo modo que a Páscoa cristã. Três delas são festas de peregrinação, com raízes no antigo Israel. Eram ocasiões em que todos os homens deviam fazer uma peregrinação ao Templo de Jerusalém, levando seus sacrifícios. Algumas outras festas se fundamentam em acontecimentos históricos.

O Ano-Novo (Rosh ha-Shaná, em hebraico) é celebrado em setembro ou outubro. No mês anterior, todos os judeus procuram cuidar especialmente bem de suas obrigações religiosas e praticar atos de caridade. E uma data em que cada um deve se concentrar na auto-análise e no arrependimento, refletindo sobre suas ações e tentando melhorá-las. Mas os festejos do Ano-Novo também comemoram Deus como criador e rei. O serviço religioso do Ano-Novo contém orações em que predomina o arrependimento. Uma parte do ritual consiste em tocar um chifre de carneiro. Este simboliza o carneiro que Abraão sacrificou no lugar de Isaac e lembra, portanto, a compaixão divina. Uma grande refeição festiva é preparada nas casas, com diversos pratos simbólicos. É hábito comer maçãs mergulhadas no mel, enquanto os convivas fazem votos de que todos tenham "um ano bom, um ano doce".

O Dia do Perdão, ou Iom Kipur (dia da expiação), termina o período de dez dias de arrependimento iniciado no Ano-Novo. Tradicionalmente, no antigo Israel, o Dia da Expiação era o único dia do ano em que o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos, o recinto mais sagrado do Templo. Isso se dava após o sacrifício de um carneiro, como sinal de expiação pelos pecados do povo. Hoje em dia os pecados são confessados na sinagoga e o indivíduo pede perdão a Deus depois de ter se reconciliado com seus semelhantes. O serviço é finalizado com o toque do chifre de carneiro e com os votos: "No ano que vem em Jerusalém". Essa é a comemoração mais importante e mais pessoal para os judeus.

A Festa dos Tabenáculos, ou Sukot (festa das tendas), acontece poucos dias depois do Dia do Perdão. Nela se constroem cabanas de folhas, no jardim da casa ou próximo à sinagoga. Isso é feito em memória das tendas onde os judeus moraram durante sua peregrinação no deserto e do cuidado que Deus dedicou a eles. Mas essa festa é também uma alegre ação de graças pela colheita. No último dia se conclui o ciclo anual da leitura da Torá, e um novo ciclo se inicia, recomeçando a leitura a partir do Gênesis. Os rolos da Torá são tirados de sua arca e levados numa procissão cerimonial.

A Festa da Inauguração (Chanuká) é comemorada em novembro ou dezembro durante um período de oito dias. A cada dia se acende uma vela, num candelabro de oito ramificações típico de Chanuká. Essa festa comemora uma grande vitória dos judeus ocorrida em 165 a. C, quando inauguraram novamente o Templo de Jerusalém, depois que os invasores sírios o haviam profanado e proibido o culto judaico. Essa festa vem adquirindo características semelhantes às do Natal cristão, com troca de presentes e muita atenção às crianças.

A Páscoa em hebraico é chamada Pessach, que significa "passar por cima". É uma referência ao relato da Torá sobre o anjo do Senhor que, ao levar a décima praga ao Egito, "passou por cima" das casas dos israelitas e, desse modo, só os primogênitos egípcios morreram. O Pessach é celebrado em março ou abril e comemora o êxodo dos judeus da escravidão do Egito. Antes do início do Pessach, os judeus devem fazer uma limpeza ritual na casa. Devem usar ainda um serviço especial de pratos para a comida e não podem comer nem beber nada que contenha grãos ou farinha fermentada. A Páscoa também é denominada "festa do pão ázimo", pois celebra a ocasião em que os judeus saíram do Egito às pressas, sem tempo de esperar o pão fermentar e crescer. Assim, durante os oito dias da Páscoa se come apenas matsá, que é pão ázimo, ou sem fermento.

Quando a família senta para fazer a refeição de Pessach, uma criança pergunta: "Por que esta noite é diferente de todas as noites?". E o pai então explica como os judeus saíram do Egito e se tornaram um povo.

A refeição da Páscoa é chamada seder, palavra hebraica que quer dizer "ordem", pois segue um ritual fixo, com pratos tradicionais de significado simbólico. Devem-se mergulhar ramos de salsa numa tigela com água salgada, simbolizando as lágrimas dos judeus no Egito. As ervas amargas lembram a infelicidade da escravidão sob o domínio do faraó. Uma mistura de maçã ralada, nozes, vinho e mel representa o cimento que os judeus utilizavam para fazer tijolos. Um osso de carneiro assado simboliza o sacrifício pascal. Ovos cozidos recordam os sacrifícios feitos no Templo. Bebe-se também vinho, o símbolo da alegria.

A Festa das Semanas (Shavuot), ou o Pentecostes judaico, cai em maio ou junho e comemora a ocasião em que a Torá foi dada ao povo no monte Sinai. Na sinagoga são lidos os dez mandamentos e o Livro de Rute. A história do livro de Rute se passa durante a colheita de trigo, e no antigo Israel os peregrinos chegavam ao Templo com cestas carregadas das primeiras espigas de trigo. Hoje, as decorações com flores e ramos lembram a área em torno do Sinai. A refeição é composta sobretudo de frutas, peixe e alimentos leves feitos de leite: bolos de queijo, panquecas etc. Isso porque quando os judeus receberam a Torá no Sinai, com a proibição de comer carne e leite na mesma refeição, decidiram se afastar da carne.

REFERÊNCIA:

GAARDER, Jonstein; NOTAKER, Henry; HELLERN, Victor. O livro das Religiões. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. págs.: 98-117.

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