terça-feira, 28 de agosto de 2012

Aprendendo sobre o método alegórico de leitura bíblica

Por Carlos Chagas

A palavra alegoria é de origem grega que significa “outro sentido”. A alegoria busca dar para o texto um significado mais abrangente, profundo e oculto, mostrando um sentido além do sentido literal das palavras. Este método era usado pelos gregos para buscar uma explicação filosófica, ou seja, um sentido para a vida. Este método começou a ser usado como método de leitura bíblica a partir de um judeu chamado Filo, de Alexandria no Egito (13 a.C. 40 d.C.), que se preocupava em passar ao mundo grego as grandes verdades do Antigo Testamento. Filo tinha uma formação judaica e era leal ás instituições e costumes de seu povo; ele também tinha uma formação filosófica, especialmente no platonismo.

Platão foi um filósofo que viveu em Atenas entre 427?-347? a.C. Este formou o conceito de que o mundo em que a humanidade vive é apenas uma representação do mundo perfeito das realidades imateriais, o “mundo das idéias”. Uma mesa, por exemplo, é o reflexo da mesa perfeita que existe neste mundo ideal. Conceitos e verdades espirituais, próprios do “mundo das idéias”, são representados por alegorias.

É importante lembrar que no primeiro século, a cultura grega estava dominando o Império Romano, ameaçando a cultura judaica, daí foram criados dois tipos de escolas: A escola de Antioquia, na Síria, e a escola de Alexandria, no Egito. Foi nesta última que o método alegórico de leitura bíblica veio a ser adotado.

Houve muitos adeptos a este tipo de método, entre eles estão: Orígenes, Tertuliano, Santo Agostinho, Jerônimo, etc.

Quanto à sua aplicação na Bíblia, devemos observar dois sentidos: O primeiro é o sentido literal do texto, que se apresenta na própria letra do texto. Este é muito útil para os neófitos. O segundo é o mais profundo, que o sentido alegórico. Este busca um sentido mais espiritual, acessível somente a pessoas sensíveis e espirituais. É nítido também como em cada detalhe há um sentido.

No método alegórico, nota-se pontos positivos como a preocupação em ligar a Bíblia com a realidade vivida pelo povo de Deus, a leitura mais espiritual da Bíblia, que visa alimentar a fé e o amor e uma posição mais pastoral, onde se busca maior contato com o povo. Mas nota-se também pontos negativos como a pouca fidelidade ao texto, diminuição do caráter histórico de algumas passagens e algumas interpretações que chegam a ser absurdas.

APRESENTAÇÃO DO MÉTODO ALEGÓRICO DE INTERPRETAÇÃO DO TEXTO DE 
Lc 10:30-37 E DE Gn 14:14.

Antes da apresentação do texto, é muito importante lembrar que uma alegoria para ser aceita como tal, não pode ferir o contexto proposto pelo próprio texto. A alegoria deve ser baseada com a mensagem literal do texto, buscando não se perder em seu decorrer.

O primeiro texto que está proposto é a parábola do “bom samaritano” citado por Jesus Cristo a um doutor da Lei que o tentava. O texto é o seguinte: “E respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais os despojaram e, espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. E, ocasionalmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote e, vendo-o, passou de largo. E, de igual modo, também um levita, chegando àquele lugar e vendo-o, passou de largo. Mas um samaritano que ia de viagem chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão. E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, aplicando-lhe azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para a sua estalagem e cuidou dele. E, partindo ao outro dia, tirou duas dracmas, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele, e tudo o que de mais gastares eu to pagarei, quando voltar. Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores? E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai e faze da mesma maneira”.

Diante deste texto podemos observar claramente a mensagem que Jesus queria passar para o doutor da Lei. Este tentava Jesus para ver se Ele realmente conhecia a Lei, mas o doutor foi pego em sua própria cilada, quando Jesus lhe ditou esta parábola para testar seus conhecimentos e seu amor para com o próximo. O que Jesus queria na verdade, era mostrar que títulos e conhecimento nada valem sem a prática do que se conhece. Lendo a parábola pode-se observar que a mensagem literal era: Ame e se preciso for ajude o seu próximo quando este se encontrar necessitado.

Bom, a proposta deste trabalho não é de mostrar a interpretação literal, mas sim duas interpretações alegóricas como exemplo. O primeiro exemplo será uma interpretação totalmente fora da idéia central do texto, que já foi dito anteriormente. O segundo, será uma aplicação mais fiel, buscando reforçar a interpretação literal do texto aprofundando em seus detalhes.

1-Primeira interpretação alegórica: Lc 10:30-37.

O homem que descia de Jerusalém a Jericó retrata a vida de alguém que vive no mundo e que não quer um compromisso sério com Deus. Como este homem não buscava refúgio em Deus, ele se deparou com um bando de salteadores, que são os demônios que o destruiu espiritualmente, deixando-o meio morto (espiritualmente). Mais adiante da história, um sacerdote e um levita passam por ele, mas de forma indiferente. Estes dois representam os cristãos que só ligam para o título e que não importam com a situação que alguém possa estar, mesmo a situação sendo comovedora. Mas um samaritano, que representa um cristão mal falado pela comunidade, só que bem visto por Deus, resolve ajudá-lo fazendo de tudo a este ferido e oprimido, como se este fosse seu parente mais próximo. Para cuidar das feridas, o samaritano usa o óleo e o vinho que representam a unção do Espírito Santo e a remissão dos pecados pelo Sangue do Cordeiro vertido na cruz respectivamente. O samaritano ao deixar o homem na hospedaria, que representa a Igreja de Cristo, deixa duas dracmas que representam o Antigo Testamento e o Novo Testamento, ambos que são indispensáveis para a Salvação completa de todos os erros. O hospedeiro, que é o pastor da igreja, tem como função de cuidar, ensinar e prepará-lo para a volta de Cristo, que é simbolizada pelo samaritano em sua volta.

Nota-se que esta alegoria feriu completamente a regra para interpretação do texto bíblico em vários aspectos. Primeiro porque não seguiu a idéia literal que o texto por si expressa e segundo porque coloca interpretações dogmáticas e idéias concebidas na própria consciência do autor como tentativa de enriquecer as conclusões precipitadas, mas que na verdade acabou destruindo a essência da mensagem alegórica.

2-Segunda interpretação alegórica: Gn 14:14.

“Ouvindo, pois, Abrão que o seu irmão estava preso, armou os seus criados, nascidos em sua casa, trezentos e dezoito, e os perseguiu até Dã”.

Esta passagem era muito usada por Barnabé; um professor-catequista da escola de Alexandria, que é autor da Carta de Barnabé, que tem tendências gnósticas e com uma interpretação altamente alegórica do Antigo Testamento.

Barnabé ficou famoso com sua interpretação alegórica deste trecho bíblico, onde ele buscou provar que Abraão sabia não somente o nome de Cristo, mas até que Jesus haveria de morrer na cruz: “Filhos do amor, aprendei mais particularmente estas coisas: Abraão praticando por primeiro a circuncisão, circuncidava porque o Espírito dirigia profeticamente seu olhar para Jesus, dando-lhe o conhecimento das três letras. Com efeito ele diz: ‘E Abraão circuncidou entre os homens de sua casa trezentos e dezoito homens.’ Qual é, portanto, o conhecimento que lhe foi dado? Notai que ele menciona em primeiro lugar os dezoito e depois, fazendo distinção, os trezentos. Dezoito se escreve: I que vale dez, e H que representa oito. Tens aí: IH (sous) = Jesus. E como a cruz em forma de T devia trazer a graça, ele menciona também trezentos (=T). Portanto, ele designa claramente Jesus pelas duas primeiras letras e a cruz pela terceira”. Barnabé 9:7-8.

Apesar desta alegoria ser ainda hoje muito discutida por serem polêmicos os termos usados, é muito aceita pelos demais devido à sua erudição. É notável hoje o quanto que as igrejas evangélicas são influenciadas por este tipo de interpretação bíblica por esta ser uma interpretação “espiritualizante”. É com pesar que muitos cristãos ainda usam este método, que é tão lindo, como forma de oprimir e “escravizar” o povo de Deus.

Conclui-se então que o método de interpretação alegórica pode ser muito útil quando usada com inteligência e moderação por aqueles que vivem e pregam o Evangelho de Cristo. É uma ótima ferramenta de trabalho que dá mais gosto para quem escuta e até mesmo para quem recita. Deve ser usada sim, mas com muita atenção e provido de conhecimento!

4 comentários:

  1. coisa boa é aprender mais de deus ,todavia tomar cuidados com algumas heresias ditas por homens sem querer as vezes

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  2. muito
    Bom este ensino temos de conhecer profundamente á palavra de Deus pra nós chegar cada dia mas perto de Jesus que Deus Abençoais
    todos vocês

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  3. Mas VC falou uma coisa,que eu nao entendi? Abrão foi solta seu irmão ou subrinho ..por favor mim ajude

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