terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O Sacrifício no Antigo Testamento: A origem e o significado para o povo do antigo Israel

Por: Carlos Chagas e Carlos Loiola

INTRODUÇÃO

Ofertas, sacrifícios e holocaustos são, muitas das vezes, encontrados como sinônimos na Bíblia. O fato é que o termo sacrifício é algo bem controverso e polêmico quanto ao seu surgimento no meio cúltico de Israel e quanto as suas origens com atualizadas e padronizadas em Israel. Alguns autores consideram o surgimento dos sacrifícios como um mandamento do próprio Deus (Cf. Temas do Antigo Testamento. Novas edições líderes evangélicos, 1986. p.101), ou seja, Deus ordenou de forma literal a prática dos sacrifícios. Outros autores alegam que os sacrifícios, bem como as demais práticas e características cúlticas de Israel foram adquiridas dos povos cananeus, já que estes eram mais evoluídos em seus rituais (Cf. FOHRER, 1993, p.48, 67-71.). Essa influência não surtiu efeito somente no povo israelita, mas também nos demais (Cf. FOHRER, 1993, p.46-47). Ainda sobre sacrifícios, na Bíblia, o livro que relata com maior precisão as práticas sacrificiais é Levítico.

Segundo as Escrituras a lei estabeleceu, com certas particularidades, os sacrifícios e ofertas, que os israelitas deviam efetuar. As coisas oferecidas eram tomadas tanto do reino vegetal, como do reino animal. Além das ofertas de vegetais e animais, usava-se também o sal mineral, que era emblema de pureza. Do reino vegetal empregavam-se certos alimentos, como farinha, trigo torrado, bolos e incenso, e as libações de vinhos nas ofertas de bebidas. Estes sacrifícios andavam geralmente unidos, e eram considerados como uma adição aos de ação de graças, que eram realizados com fogo (Lv 14.10 a 21 - Nm 15.5 a 11 - 28.7 a 15). os animais oferecidos eram bois, cabras e carneiros, devendo ser sem mancha, e não tendo menos de oito dias, nem acima de três anos. (Há uma exceção: Jz 6.26, ‘o boi de sete anos’). As pombas eram, também, oferecidas em alguns casos (Êx 22.20, e 12.5 - Lv 5.7 e 9.3,4). Nunca se ofereciam peixes, e os sacrifícios humanos eram expressamente proibidos (Lv 18.21 e 20.2). os sacrifícios eram somente oferecidos no pátio, que estava à entrada do tabernáculo, e mais tarde do templo (Lv 17.1 a 9, Dt 12.5 a 7). Havia, porém, de tempos a tempos, sacrifícios em outros lugares, sem censura (Jz 2.5 - 11.15 - 16.5 - 1 Rs 18.30). Ao mesmo tempo os israelitas mostravam uma disposição constante para sacrificar ‘nos lugares altos’, a que recorriam antes de existir um santuário permanente (1 Rs 3.2), e mais tarde por motivos de cisma (1 Rs 12.31 - 2 Cr 33.17). Para a realização do sacrifício, devia, por lei, purificar-se primeiramente o próprio ofertante (Êx 19.14 - 1 Sm 16.5), e levar depois a vítima para o altar - voltado, então, para o santuário, punha a mão sobre a cabeça do animal, para assim se identificar a vítima e o pecador, e ser alcançada a expiação pelo sacrifício (Lv 1.4 - 3.2 - 4.33): depois descarregava o golpe, podendo, contudo, este ato ser praticado pelo sacerdote (2 Cr 29.23,24 - Ed 6.20). Morta a vítima, o sacerdote recebia o sangue, e espargia-o perto das ofertas, mas separado delas. O animal era cortado em pedaços pelo ofertante (Lv 1.6), sendo a gordura queimada pelo sacerdote. Nalguns sacrifícios antes ou depois da morte do animal, era a vítima levantada, sendo-lhe dado movimento de vai-vem na direção do altar - e era este ato um símbolo da sua apresentação ao Senhor. Nos casos em que os adoradores comiam parte do sacrifício, dava isso uma idéia da sua comunhão com Deus.

Uma prévia sobre os tipos de sacrifícios e seus significados

Segundo Levítico, os sacrifícios podem ser divididos em cinco tipos de ofertas: Holocaustos, que eram considerados sacrifícios de consagração; Oferta de Manjares, relacionada à comunhão e ações de graça feita com farinha e azeite; Oferta Pacífica, que tinha a mesma finalidade da anterior, porém realizada com animais; Oferta pelos Pecados, que tinha o objetivo de restabelecer a comunhão do ofertante com Deus que um dia foi rompida devido a transgressão do mesmo, matando um animal e, mediante o ritual, transferir a culpa pelo pecado do ofertante para o sangue; e Oferta pela Culpa, na qual o objetivo era expiar pecados contra Deus ou homens admitindo compensação (Cf. GAGLIARDI JR, 1995, p.75). Alguns autores trazem alguns outros sacrifícios a mais do que estes (Cf. LASOR, HUBBARD, BUSH, 2002, p.91).

Contudo, ao se ler Levítico com uma ótica mais crítica a pergunta que se faz pode ser a seguinte: Como Israel se apropriou destas práticas? Foi Deus quem narrou sua liturgia? E se foi Deus, como pode tais práticas litúrgicas ser tão parecidas com as práticas cananéias? É o que o trabalho abordará, de forma resumida, não esgotando o assunto a partir de então.

Origem religiosa do povo de Israel

Apesar de autores defenderem que a posse das terras após o Êxodo por parte de Israel foi por meio de conquista (Cf. LASOR, HUBBARD, BUSH, 2002, p.64), outros defendem que tal ação é impossível uma vez que a inter-relação entre os livros de Josué e Juízes fica comprometida (Cf. CERESKO, 1996, p.100-113). O fato é que apropriações de discursos aconteceram entre Israel e demais povos. Isso traz implicações muito válidas quando observamos as práticas sacrificiais dos israelitas bem como suas intenções e presença de “mensagens ocultas” (Dão-se no ato da redação do texto levítico. A intenção do autor impregna o texto tentando mostrar algo ainda mais profundo do que o que está simplesmente escrito no livro). Israel foi uma nação que abraçou, em certos aspectos, características culturais de algumas nações que já se encontravam na terra prometida por Javé, a saber, os cananeus. Logicamente os israelitas não se apossaram de todas as características destes povos, ainda mais quando se trata de sacrifícios (Cf. VON RAD, 2006, p.205), já que o código de adoração israelita não permitia tal atitude, pois Javé contava com uma adoração exclusiva de forma imaterial da fé (Cf. VON RAD, 2006, p.200-208). Mas isso é lógico quando se pensa que toda religião possui sua exclusividade. E isso é fato.

Os sacrifícios de Israel buscavam um contraste com os dos demais povos. Isso pode ser atestado pelo fato de Israel considerar imundo os animais que eram sacrificados por estes povos (Cf. VON RAD, 2006, p.205). A idéia de que os mandamentos de Ex 20 juntamente com toda a Torá foram um simples “ditado” feito pela própria boca de Javé não passa de uma idéia reducionista. Se assim fosse Javé continuaria atuando dessa mesma forma até aos dias de hoje. Características idênticas da forma cúltica de Israel são encontradas em outras nações. Isso defende a idéia de que Israel, aos poucos, foi se apossando da cultura alheia e aqui, em especial, os sacrifícios (Cf. FOHRER, 1993, p.62-63), contudo não deixando de acrescentar suas especificidades. Von Rad diz:

“Admitindo todavia que o Antigo Testamento nos transmitia de maneira sofrivelmente confiável as idéias e o sentido de cada um dos atos sacrificiais, surge a dificuldade de que seja bem provável para o campo amplo da história das religiões e com toda a certeza para Israel que os períodos festivos, que as vítimas dos sacrifícios celebravam de modo ingênuo e reverente, falassem bem pouco ou quase nada do seu sentido. Só quando surgem determinadas tensões entre o mundo dos ritos e os seres humanos que o praticam é que tem origem as teorias do sacrifício, só nesse caso é que aparece a necessidade de esclarecimento racional” (VON RAD, op.cit., p.247).

Ou seja, von Rad aceita a idéia da adaptação e formulação progressiva de práticas e conceitos sacrificiais vindos de Israel. Ele continua dizendo:

“O significado da manipulação do sangue, na celebração da Páscoa, que certamente já existia muito tempo antes de Moisés, pelos nômades proprietários de rebanhos de gado miúdo, ficou mais ou menos claro para nós: ela tinha uma função ‘apotrópica’, isto é, deveria servir de proteção dos rebanhos contra influências demoníacas” (VON RAD, 2006, p.247).

Tal afirmação é bombástica para alguns autores, como o foi para Gunneweg que diz: “[...] Do mesmo modo é importante não aplicar parâmetros falsos, anacrônicos, por exemplo, o aspecto da proteção aos animais. O sacrifício de animais era de costume geral no mundo antigo, e Israel o adotou de Canaã, da mesma forma como as festas...” (GUNNEWEG, 2005, p.183). Gunneweg alega que nunca houve sacrifícios como proteção para animais, como von Rad e Fohrer alegam ficando assim comprometido o fato de ter havido uma junção entre as tribos cananéias e israelitas. Além do mais, escritos antigos comprovam tais apropriações de discurso religioso. E ainda sobre a Páscoa, Fohrer concorda com von Rad dizendo que a mesma não tinha seu sentido atual nos tempos primitivos. Tal sentido só foi apropriado após a reforma deuteronômica do culto (Cf. FOHRER, 1993, p.40 e 75). Com as palavras de von Rad:

“Devemos, pois, em teoria, distinguir entre a ‘idéia fundamental’ da cerimônia sacrificial e o motivo do ato. Na prática, porém, era o motivo que determinava o modo de se compreender a respectiva oferenda apresentada. O sacrifício era, porém, um fenômeno tão amplo que nele, para todo o tipo de concepções e idéias que quisessem combinar-se com ele, partindo da origem que lhe serviu de motivo especial, sempre ainda havia espaço. Mas é claro também que, com isso, o sacrifício ainda não passou a estar sujeito a qualquer tipo de interpretação subjetiva. Isso não teria sido possível num povo tão versado em questões cúlticas como era o antigo Israel!” (VON RAD, 2006, p.247-248)

Pode-se aceitar as mudanças de compreensões, contudo não negando o valor da idéia fundamental atribuída ao sacrifício nem mesmo desmerecendo ou negando seu valor. Fohrer também compartilha dessa idéia (Cf. FOHRER, op.cit., p.252). Assim sendo os vários motivos do sacrifício são mais importantes do que qualquer compreensão acerca de onde surgiu e como surgiu. O fato é que ele era praticado de diversas formas e tinha vários motivos diferentes, seja ele numa perspectiva protetora, salvífica, redentora, remissiva, cultural ou apenas como forma litúrgica de cultuar Javé. O que importa, é o que podemos aprender com eles e qual relevância este ato têm para nós nos dias de hoje. Fica para nós algumas perguntas: O que estamos entregando para Deus? Como estamos entregando? E por último; Por que estamos entregando? A partir de então poderemos então dizer se a maneira como cultuamos a este Deus, é realmente melhor do que a maneira dos israelitas no AT.

Referências Bibliográficas

BÍBLIA SAGRADA - NVI

CERESKO, Anthony R. Introdução ao Antigo Testamento numa perspectiva libertadora. São Paulo: Paulus, 1996.

FOHRER, Georg. História da Religião de Israel. São Paulo: Edições Paulinas, 1982.

GAGLIARDI JR, Ângelo. Panorama do Velho Testamento. Rio de Janeiro: Vinde comunicações, 1995.

GUNNEWEG, Antonius H. J. Teologia Bíblica do Antigo Testamento: uma história da religião de Israel na perspectiva bíblico-teológica. São Paulo: Edições Loyola/Teológica, 2005.

LASOR, William S.; HUBBARD, David A.; BUSH, Frederic W. Introdução ao Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1999.

Temas do Antigo Testamento. Novas edições líderes evangélicos, 1986.

VON RAD, G. Teologia do Antigo Testamento. 2.ed. São Paulo: ASTE/TARGUMIN, 2006.

14 comentários:

  1. Cara, eu acredito que quem instituiu o sacrificio com animais, foi o própio Deus. Ao ver que Adão estava nu, ele ordenou que fosse morto um cordeiro. Portanto, acredito que os israelitas não adquiriram esta pratica dos povos cananeus.

    Abçs

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  2. Caro Emerson;

    Para a teologia tradicional do Brasil, a qual chamamos de Teologia Fundamentalista, realmente quem instituiu o sacrifício foi o próprio Deus. Todavia existem centenas de outras teologias que discutem novas ideias. A que eu usei acima é um teologia de método histórico-crítico que busca uma certa lógica racional e uma compreensão antropo e sociológica das religiões, no caso, semíticas.

    Mas não estou aqui para dizer qual é a certa, apenas apontar um novo olhar.

    Outro abraço para ti e obrigado pelo comentário.

    CHAGAS

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  3. Eu também acredito que nossos irmãos israelitas sofreram influências a respeito do modo como apresentar seus sacrifícios para Deus, pois o diábo nosso adversário sempre quis copiar a Deus em todas Suas ações e até tentando igualar-se à Ele, por isso para mim fica claro que quando Deus lá no Edem já exigiu o primeiro sacrifío para o homem, lhe dando sempre a oportunidade da reconciliação com seu criador, hoje graças a Deus por meio do maior sacrifício feito por Deus, Jesus Cristo nosso salvador.Nossas dúvidas em relação a origem de tudo que Deus requer do homem, sacrifícios e etc., só nos fazem chegar a certezade que nosso Pai sempre nos trará a luz quando o buscarmos de todo nosso coração.
    josefranciscocandido@yahoo.com.br

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  4. [1] Caro Carlos Chagas!

    O sacrifício de seres humanos em holocausto era prática comum e por determinado tempo, exigida pelo Deus Iahweh:

    “Israel tomou da religião cananéia a prática de dedicar o primogênito à divindade. Exatamente como os primeiros frutos do campo eram oferecidos nas festividades de colheita, assim também o primogênito macho do rebanho devia ser oferecido (Êx 34.19). Não pode ser determinado em que medida essa exigência era aplicada, originalmente, ao primogênito humano; de qualquer maneira, mesmo o precursor cananeu da história da viagem de Abraão para sacrificar seu filho (Gn22) parece ter intentado justificar a substituição do sacrifício de animais para o sacrifício humano”. - História da Religião de Israel: Georg Fohrer. Editora Academia Cristã Ltda./Paulus 2008. Página 270 -.

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  5. [2] Perceba que não há dúvida quanto à prática de sacrifício humano para o Deus Iahweh. O que ele deixa na dúvida é a medida na qual os sacrifícios eram praticados.
    Noutra fonte, ainda no método histórico-crítico, temos o seguinte reforço temático:
    “No mundo antigo, geralmente se via o primogênito como propriedade de um deus, ao qual deveria ser devolvido em sacrifício humano. [...] Só no último instante elohim envia seu ‘anjo’ para sustar a imolação e ordenar a Abraão que sacrifique um carneiro em lugar do filho. Acredita-se que o episódio assinala uma importante transição cultural, em que a oblação animal substitui o sacrifício humano”. – A Grande Transformação: o mundo da época de Buda, Confúcio e Jeremias; Karen Armstrong. Companhia das Letras 2008. Página 112 -.
    A teóloga cristã Ina Willi-Plein, de forma discreta, preleciona:
    "[...] 3. Além do próprio Abraão fala-se somente em "meninos" (n'ryn). Será que esse holocausto tem algo a ver com uma iniciação? A suposição é especulativa, mas há contextos (como este) que talvez insinuem uma relação entre o holocausto e um sacrifício de jovens". – Sacrifício e Culto no Israel do Antigo Testamento. Edições Loyola, São Paulo 2001. Página 81 -.

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  6. [3] Partindo para os textos bíblicos:
    Jz 11:31-34 “Aquilo que, saindo da porta de minha casa, me sair ao encontro, voltando eu dos filhos de Amom em paz, isso será do SENHOR, e o oferecerei em holocausto. Vindo, pois, Jefté a Mizpá, à sua casa, eis que a sua filha lhe saiu ao encontro com adufes e com danças; e era ela a única filha; não tinha ele outro filho nem filha”.
    Js 7:24-26 “Então Josué, e todo o Israel com ele, tomaram a Acã filho de Zerá, e a prata, e a capa, e a cunha de ouro, e seus filhos, e suas filhas, e seus bois, e seus jumentos, e suas ovelhas, e sua tenda, e tudo quanto ele tinha; e levaram-nos ao vale de Acor. E disse Josué: Por que nos perturbaste? O SENHOR te perturbará neste dia. E todo o Israel o apedrejou; e os queimaram a fogo depois de apedrejá-los. E levantaram sobre ele um grande montão de pedras, até o dia de hoje; assim o SENHOR se apartou do ardor da sua ira; pelo que aquele lugar se chama o vale de Acor, até ao dia de hoje”
    Note que o apedrejamento seguido de holocausto aplacou a ira de Iahweh. Isto não deixa nenhuma margem para duvidar que esse Deus não somente aceitava, mas também ordenava sacrifícios humanos. Inobstante isto, as evidências de que Iahweh não apenas aceitava, mas ordenava sacrifícios humanos são mais uma vez reforçados pelos seguintes textos bíblicos:
    Êx 13:2, 11-15 “Santifica-me todo o primogênito, o que abrir toda a madre entre os filhos de Israel, de homens e de animais; porque meu é. Também acontecerá que, quando o SENHOR te houver introduzido na terra dos cananeus, como jurou a ti e a teus pais, quando ta houver dado, Separarás para o SENHOR tudo o que abrir a madre e todo o primogênito dos animais que tiveres; os machos serão do SENHOR. Porém, todo o primogênito da jumenta resgatarás com um cordeiro; e se o não resgatares, cortar-lhe-ás a cabeça; mas todo o primogênito do homem, entre teus filhos, resgatarás. E quando teu filho te perguntar no futuro, dizendo: Que é isto? Dir-lhe-ás: O SENHOR nos tirou com mão forte do Egito, da casa da servidão. Porque sucedeu que, endurecendo-se Faraó, para não nos deixar ir, o SENHOR matou todos os primogênitos na terra do Egito, desde o primogênito do homem até o primogênito dos animais; por isso eu sacrifico ao SENHOR todos os primogênitos, sendo machos; porém a todo o primogênito de meus filhos eu resgato”.

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  7. [4] Nm 18:15-16 “Tudo que abrir a madre, e toda a carne que trouxerem ao SENHOR, tanto de homens como de animais, será teu; porém os primogênitos dos homens resgatarás; também os primogênitos dos animais imundos resgatarás. Os que deles se houverem de resgatar resgatarás, da idade de um mês, segundo a tua avaliação, por cinco siclos de dinheiro, segundo o siclo do santuário, que é de vinte geras”.
    Certo é que se não houvesse o pagamento “resgate”, o primogênito humano seria sacrificado em holocausto para Deus Iahweh. Continuando, temos Gênesis 17: 11-14: “E circuncidareis a carne do vosso prepúcio; e isto será por sinal da aliança entre mim e vós. O filho de oito dias, pois, será circuncidado, todo o homem nas vossas gerações; o nascido na casa, e o comprado por dinheiro a qualquer estrangeiro, que não for da tua descendência. Com efeito, será circuncidado o nascido em tua casa, e o comprado por teu dinheiro; e estará a minha aliança na vossa carne por aliança perpétua. E o homem incircunciso, cuja carne do prepúcio não estiver circuncidada, aquela alma será extirpada do seu povo; quebrou a minha aliança”.
    Vale ressaltar que, entre outros significados correlatos, “extirpar” é exterminar, eliminar, extinguir...

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  8. [5] O texto que se segue foi copiado do seguinte endereço eletrônico acessado em 07/09/2012 - http://www.verdadesbiblicas.com.br/estudos/135-sacrificios-humanos):

    Durante os quarenta anos de peregrinação no deserto, o povo de Israel se prostituiu com as moabitas. Jeová enfurecido mandou uma praga que matou vinte e quatro mil israelitas. E ia continuar matando, mas Finéias, neto de Arão, atravessou com uma lança, pela barriga, um varão israelita e a mulher moabita. Jeová então disse: “Fineias, filho de Eleazar, o filho de Arão, o sacerdote, desviou a minha ira de sobre os filhos de Israel” (Nm. 25:11). Jeová aceitou sacrifício humano para acalmar seu furor
    O quinto caso é de Saul. Jeová escolheu Saul e Jeová rejeitou Saul (I Sm. 9:17; 16:1). A notícia da rejeição foi dada pelo profeta Samuel, mas o anúncio da morte de Saul e seu três filhos, Jeová deu pela boca de uma feiticeira (I Sm. 13:14; 28:6-19; 31:1-2). A morte de Saul e três de seus filhos não apagou o furor vingativo de Jeová por uns trinta anos ou mais. Então Jeová, irado, mandou três anos de fome sobre Israel. Davi orou e Jeová respondeu que o culpado era Saul e sua casa sanguinária, que quarenta ou cinqüenta anos antes, queria matar os gibeonitas. Davi chamou os gibeonitas para acertar o assunto e acabar com a fome em Israel. Os gibeonitas pediram a Davi sete filhos de Saul, para os enforcar em sacrifício a Jeová. Foram os sete inocentes enforcados a Jeová, e o texto termina assim: “E depois disto Jeová se aplacou para com a terra” (II Sm. 21:1-14).
    Analisaremos o último caso deste artigo. O reino de Israel gozava os anos de glória sob a regência de Davi, pois havia paz. Consolidado o reino, a arca foi levada para Jerusalém e colocada na tenda armada por Davi (I Cr.16:1) Este disse: “Eu moro em casa de cedros, mas a arca do concerto de Jeová esta debaixo de cortinas.” E Davi decide edificar uma casa para a arca de Deus (I Cr.17:1-12). E o rei faz uma oração de louvor a Jeová (I Cr.17:16-27). Nesse tempo de glória do reino de Davi, a ira de Jeová se ascende contra Israel, aparentemente sem motivo. Jeová estava irado, e só os sacrifícios humanos lhe trariam a paz. Como não havia motivo para a realização dos sacrifícios, Jeová incitou a Davi a tomar o número do povo, Davi obedeceu, e isto foi causa de Jeová matar setenta mil israelitas.
    Estas setenta mil almas foram sacrificadas para acalmar a alma de Jeová (II Sm. 24:1; I Cr. 21:1-16).
    Na realidade, Jeová nunca foi contra os sacrifícios humanos. Quando proibiu esses sacrifícios feitos a Molok, o fez porque esses privilégios, só ele, Jeová, podia receber.
    Deste modo, são abundantes as passagens bíblicas com as quais é possível por em evidência que Iahweh aceitava e ordenava sacrifícios humanos em rituais e cultos, todavia, em algum momento houve uma transição cultural através da qual essa prática foi totalmente erradicada dos cultos e rituais javistas.

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  9. Caro Thekinglizardxapado;

    Muito bem destacada a sua pesquisa. Realmente, pelo método histórico-crítico, vale salientar que a religião de Israel e a visão que os integrantes desta tinham de Jeová/Javé eram sempre baseadas e equiparadas com as demais religiões. Como exemplo percebe-se que não é à toa que os israelitas chamavam os filiteus de incircuncisos e somente eles, porque estes eram os únicos dentre os povos que não circuncidavam.

    Mas vale perceber também pela análise que se faz no AT pelas obras, javistas, eloíostas, deuteronimistas e sarcedotais que não é só por estas mas também pela tranformação cultuiral que o povo sofreu através do tempo. Ressalto (em minha monografia) que a religião é elaborativa, progressiva e não tem a palavra última, mas é legítima.

    Outra questão ressaltada aqui é que não se pode condenar ou aliviar as práticas religiosas antigas com base na nossa atual noção de justiça. O que consideramos hoje como abominável, para a época era comumente aceitável.

    Obrigado pela sua pesquisa e pelas notas bibliográficas principalmente. Adoro pesquisas embasadas.

    CHAGAS

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  10. Pergunta: a questão do método do sacrifício influência na questão essencial dele, que é uma oferta de gratidão, compensação ou perdão?

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    1. Sim. Existiam diversas formas de imolação e, cada uma delas, era para um fim.

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  11. e o que raros percebem é que o sacrificio de animais também é praticado no cristianismo. de uma meneira camuflada... Tal qual os gregos faziam pra agradar seus deuses, banqueteiam-se os cristão com o perú (pra comemorar o nascimento do cristo), com os coelhos pra comemorar a pásco; com os patos pra comemorar a festa da senhora de Nazar´pe), e por aí vai.. Na Grécia antiga "toda a encenação ritual era conduzida de modo a velar quaisquer traços de violência e assassinato, para fazer ressaltar a solenidade pacífica de uma festa feliz. O animal do sacrifício não chegava a perceber qual era o seu destino e ninguém se horrorizava com o prospecto da sua morte.

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  12. Quantos aos sacrificios nos temos respostas quanto a vontade de Deus em Jesus Cristo. Não em um altar mas na cruz como um ladrão.

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